A Revolução da Inteligência Artificial nas Empresas e Seus Desafios
Por
Redação
A inteligência artificial generativa está passando por uma transformação significativa no ambiente corporativo. Nos últimos dois anos, o foco do mercado se voltou para a evolução dos grandes modelos de linguagem (LLM). A cada novo lançamento, debates surgem sobre qual modelo possui maior capacidade de raciocínio, respostas mais precisas ou um número superior de parâmetros. Modelos como GPT, Gemini, Claude e Llama estão se tornando símbolos de uma nova era que conecta pessoas e sistemas através da linguagem natural.
Esse período foi crucial para impulsionar a adoção da IA nas empresas. Pela primeira vez, é possível interagir com sistemas de maneira intuitiva, aumentando a produtividade e diminuindo as barreiras técnicas para os usuários. Contudo, à medida que a IA se torna mais presente, surge uma nova discussão: apenas conversar com a tecnologia não garante que uma empresa funcione adequadamente. O potencial da IA deve se traduzir em execução de processos e retorno financeiro.
As empresas não operam apenas com comandos, mas sim com fluxos de trabalho. É nesse ponto que se inicia um novo capítulo na aplicação da IA nas corporações.
Os Limites dos LLMs
O verdadeiro desafio da IA nas empresas vai além de entender o que precisa ser feito; é sobre transformar essa compreensão em ações concretas. Os principais LLMs são altamente competentes em interpretar contextos, responder perguntas, gerar conteúdo e fornecer conhecimento. No entanto, essas habilidades não garantem que as operações funcionem efetivamente.
Um modelo pode sugerir a aprovação de uma compra, identificar erros em um cadastro ou recomendar a abertura de uma investigação de compliance. Entretanto, nenhuma dessas ações gera resultados por si só. Entre entender uma intenção e concluir uma tarefa, existem regras, aprovações, integrações e mecanismos de governança que sustentam o funcionamento das organizações.
Assim, a IA deve deixar de ser apenas uma ferramenta de consulta e assumir um papel ativo na execução dos processos que movimentam a empresa.
Quando o Comando se Torna Execução
Essa mudança no papel da IA também transforma nossa percepção sobre a evolução do mercado e das ferramentas disponíveis. Empresas como Microsoft, Google, Oracle e AWS continuarão a expandir suas plataformas de inteligência artificial. A NVIDIA também desempenhará um papel fundamental ao fornecer a infraestrutura necessária para essa revolução. No entanto, à medida que esses modelos evoluem, fica evidente a necessidade de uma camada que os conecte ao funcionamento real das empresas.
Para os gestores de operações complexas, é importante entender que os assistentes serão a interface, mas alguém precisará executar os processos. Não se trata de substituir os grandes modelos, mas de reconhecer que a evolução dos LLMs aumenta a importância de uma arquitetura que converta a linguagem natural em processos executáveis.
A solução não está em mais um modelo, mas sim em uma camada de orquestração que transforme a intenção do usuário em operações reais, governadas, rastreáveis e integradas aos sistemas já existentes nas empresas.
Workflows e Produtividade
Por décadas, as empresas organizaram suas operações através de fluxos de trabalho. Esses fluxos definem responsabilidades, políticas internas, níveis de aprovação, integrações entre sistemas, exceções, auditoria e governança. Essa estrutura é o que garante que uma compra seja aprovada corretamente, que um cliente seja cadastrado, que uma contratação siga todos os passos necessários ou que uma cobrança seja realizada de forma consistente.
A IA não elimina essa lógica, mas deve operar dentro dela. A próxima geração será construída sobre a capacidade de transformar comandos de linguagem natural em fluxos de trabalho executados de maneira integrada, segura e rastreável. Mais do que responder corretamente, será essencial executar corretamente.
Essas mudanças também afetarão a forma como medimos a produtividade. Durante muitos anos, as empresas avaliaram sua eficiência pelo número de pessoas que realizavam um processo. Agora, a métrica pode ser quantos fluxos de trabalho cada colaborador consegue executar com o auxílio da inteligência artificial.
O trabalho humano continuará sendo fundamental, mas seu papel deve se deslocar da execução repetitiva para atividades de supervisão, tomada de decisão e melhoria contínua dos processos. A IA ampliará sua capacidade de execução.
O Futuro da IA e a Captura de Valor
A competição no ecossistema corporativo não será vencida pelo LLM que tiver o maior número de parâmetros. O verdadeiro diferencial competitivo estará na capacidade de transformar inteligência em execução, conectando modelos aos processos que sustentam o funcionamento das empresas. Os LLMs mudaram a maneira como interagimos com a tecnologia. O próximo passo é integrá-los nas operações que realmente movimentam uma organização, pois as empresas não funcionam apenas com comandos, mas sim com fluxos de trabalho.
*Por André Agra, CFO & EVP de parcerias e alianças da Pipefy.
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