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Reflexões sobre a Valorização de Empreendimentos Imobiliários ao Longo do Tempo

Redação Por Redação
04/08/2026 - 15:09 4 min de leitura

Recentemente, enquanto caminhava por um bairro familiar em Florianópolis, deparei-me com um prédio que foi lançado com grande expectativa há cerca de quinze anos.

Naquela época, o edifício era destaque por suas metragens amplas e acabamentos de qualidade, características que prometiam ser diferenciais. No entanto, atualmente, ele enfrenta concorrência de novos empreendimentos que foram entregues recentemente, e ainda assim, não consegue se destacar.

O que realmente desvalorizou aquele prédio não foi o passar do tempo, mas sim a falta de planejamento para o futuro. Ele foi projetado com foco no momento do lançamento, sem considerar as necessidades e desejos dos moradores a longo prazo.

Essa questão é rara no nosso setor: quando um novo empreendimento é lançado, quem realmente desejará viver ali em uma década? Se a resposta depender apenas de manter os preços baixos, o problema está no projeto, e não no mercado, como muitos acreditam.

É fácil confundir essas duas situações em tempos de crescimento. Santa Catarina está passando por um período de expansão, com mais lançamentos e atração de investidores de fora do estado.

No entanto, crescimento em volume não significa crescimento em valor. Durante os ciclos de alta, essa confusão pode trazer consequências negativas no futuro, especialmente quando o mercado desacelera e apenas os projetos bem planejados permanecem relevantes.

Características de um Prédio que Envelhece Bem

Empresas que constroem marcas duradouras, seja no setor de luxo, tecnologia ou no mercado imobiliário, têm em comum o fato de não competirem apenas no lançamento, mas sim ao longo do tempo.

Isso se reflete em decisões concretas na hora de projetar um empreendimento, antes mesmo da venda da primeira unidade.

1. Localização que Resiste ao Tempo

Bairros que estão na moda mudam de status rapidamente, e o que é popular hoje pode perder relevância em poucos anos se a infraestrutura não acompanhar. Uma boa localização é aquela que se sustenta por mobilidade, comércio consolidado e serviços que não dependem de um único empreendimento para funcionar.

2. Áreas Comuns Planejadas para Uso Real

É comum ver lançamentos que oferecem uma infinidade de opções de lazer, mas o problema surge quando, após alguns anos, muitos desses espaços se tornam custos ociosos, pois foram projetados para impressionar no lançamento, e não para o cotidiano dos moradores. Um prédio que envelhece bem pode ter menos opções, mas todas são utilizadas.

3. Flexibilidade para o Futuro

A configuração familiar muda ao longo do tempo. O que funciona para uma família hoje pode não ser adequado em dez anos. Projetos que atendem apenas a um perfil específico de morador tornam-se difíceis de revender quando esse perfil muda, enquanto aqueles que se adaptam continuam a ser procurados.

Para ilustrar, dois empreendimentos podem ter o mesmo valor de venda no lançamento, mas destinos diferentes em uma década. Um pode ter investido em acabamentos visíveis e áreas de lazer que impressionam em fotos, enquanto o outro focou em localização, engenharia e flexibilidade de planta, características que podem não vender rapidamente, mas que garantem valorização a longo prazo.

O mercado de Santa Catarina possui agora a escala e o capital necessários para fazer escolhas mais inteligentes. A questão é se o setor continuará a competir pela aparência do lançamento ou se começará a se preocupar com quem realmente desejará aquele endereço em dez ou quinze anos.

Antes de questionar o valor atual de um empreendimento, talvez a pergunta mais sensata seja: alguém realmente desejará isso em dez anos? Se a resposta não for clara, o problema está no projeto.

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Fonte: https://economiasc.com/2026/08/04/empreendimentos-tambem-envelhecem-por-que-a-pergunta-certa-nao-e-quanto-vale-hoje-mas-quem-vai-querer-isso-em-2036/

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