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O papel da governança na transformação digital e nas relações de trabalho

Redação Por Redação
01/09/2026 - 14:08 4 min de leitura

Por Zélia Janssen, coordenadora-geral do Capítulo Santa Catarina do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Atualmente, estamos vivendo um período de mudanças rápidas e significativas. A inteligência artificial está reformulando profissões, a digitalização altera modelos de negócios e novas formas de trabalho desafiam estruturas organizacionais tradicionais. Além disso, as empresas agora abrigam até cinco gerações diferentes, cada uma com suas expectativas e experiências únicas. Nesse cenário, o verdadeiro desafio das organizações não é apenas acompanhar a evolução tecnológica, mas garantir que as pessoas evoluam junto com ela.

A governança corporativa, nesse contexto, assume um papel ainda mais importante. Durante anos, foi vista como um conjunto de controles e conformidades. Embora esses aspectos continuem essenciais, a complexidade do ambiente empresarial exige que a governança vá além. Ela deve conectar estratégia, inovação, cultura organizacional e desenvolvimento humano.

A tecnologia, por si só, não é suficiente para preparar uma organização para o futuro. Sistemas e plataformas podem ser adquiridos, mas o verdadeiro diferencial competitivo reside na capacidade das pessoas de aprender, colaborar, inovar e tomar decisões éticas.

Por isso, é um erro ver a transformação digital apenas como uma questão tecnológica. Na verdade, ela se concentra nas pessoas. Isso requer novas habilidades, modelos de liderança colaborativos e ambientes que incentivem o aprendizado contínuo, além de uma cultura que transforme mudanças em oportunidades.

Nesse sentido, a governança corporativa deve deixar de ser apenas um mecanismo de supervisão e assumir uma função estratégica na construção de uma cultura organizacional forte. Os conselhos e líderes têm a responsabilidade de garantir que inovação e propósito andem juntos, alinhando a busca por resultados aos valores da organização, promovendo uma transformação ética e sustentável.

Outro ponto importante é a convivência de diferentes gerações nas empresas. Hoje, temos ambientes corporativos mais diversos do que nunca. Profissionais experientes trabalham lado a lado com jovens que cresceram em um mundo digital. Em vez de ver isso como um conflito, a boa governança deve transformar essa diversidade em uma vantagem competitiva.

A diversidade geracional enriquece o repertório, favorece a inovação e melhora a qualidade das decisões, desde que exista uma cultura organizacional que valorize o respeito, a escuta e a colaboração. As empresas que se preparam para o futuro são aquelas que conseguem extrair o melhor de cada geração, promovendo a troca de conhecimentos.

Além disso, o conceito de bem-estar organizacional se expande além das iniciativas tradicionais de qualidade de vida. Empresas resilientes são aquelas que oferecem segurança psicológica, promovem relações de confiança e valorizam diferentes perspectivas, criando ambientes onde todos possam contribuir com seu potencial. Esse é um aspecto de governança, pois impacta a capacidade da organização de inovar, reter talentos e gerar valor a longo prazo.

Essas reflexões serão discutidas no evento Conexão Governança – Capítulo Santa Catarina, promovido pelo IBGC em 2 de setembro. O encontro reunirá especialistas para debater os impactos das transformações tecnológicas, a evolução das lideranças, o futuro do trabalho e o papel das diferentes gerações. Isso reforça uma percepção crescente nas organizações: a governança precisa adotar uma visão mais humana para fortalecer culturas resilientes, inclusivas e sustentáveis.

É crucial que esse debate ocorra neste momento. Estamos em uma fase em que a inovação não é apenas um diferencial, mas uma necessidade para a sobrevivência. Contudo, nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, pode substituir valores, propósito ou capacidade de liderança. Esses elementos são o que a governança corporativa deve preservar enquanto impulsiona a transformação, ajudando as empresas a aprender continuamente, se adaptar às mudanças e manter as pessoas no centro das decisões.

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Fonte: https://economiasc.com/2026/09/01/o-futuro-da-governanca-sera-escrito-pelas-pessoas/

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