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Investimento em Ativos Intangíveis Ultrapassa US$ 10 Trilhões e Impacta Economia Global

Redação Por Redação
15/09/2026 - 10:02 4 min de leitura

Recentemente, o investimento mundial em ativos intangíveis superou a marca de US$ 10 trilhões pela primeira vez. Essa informação, que faz parte do World Intangible Investment Highlights 2026, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual e pela Luiss Business School, sinaliza uma mudança significativa na forma como o valor é construído nas economias atuais.

Desde 2008, o crescimento do investimento em intangíveis tem sido mais de três vezes superior ao dos ativos tangíveis. Elementos como capital organizacional, pesquisa e desenvolvimento, software, dados, marcas, design e conhecimento estão se tornando cada vez mais essenciais na economia moderna.

O estudo abrangeu 29 economias que juntas representam 57% do PIB global. Entre 2008 e 2025, o investimento em intangíveis teve um crescimento real anual de 3,5%, enquanto o investimento em ativos tangíveis avançou apenas 0,98%.

No Brasil, as marcas correspondem a 25,3% do total investido em intangíveis, um percentual que é 1,7 vezes maior do que a média das economias analisadas, incluindo o Reino Unido. O país ocupa a quinta posição mundial em investimento absoluto em marcas, totalizando US$ 79 bilhões em 2023.

Esses dados não apenas indicam onde o capital está sendo alocado, mas também revelam uma contradição. As empresas estão investindo cada vez mais em ativos que muitas vezes não conseguem identificar, medir ou gerenciar de forma eficaz.

A dificuldade vai além das limitações dos instrumentos contábeis. Em muitas organizações, esses ativos permanecem invisíveis para os tomadores de decisão. Eles estão presentes no conhecimento acumulado, na cultura organizacional, na confiança construída ao longo do tempo e nas abordagens únicas para resolver problemas e desenvolver soluções.

Investimento Não É Sinônimo de Valor

O aumento desses investimentos não garante que todos os recursos aplicados em marcas, inovação, tecnologia ou conhecimento se convertam automaticamente em valor. Investimento, valor econômico e preço são conceitos interligados, mas não são sinônimos.

A propriedade intelectual ocupa um espaço específico nesse contexto. Patentes, marcas, desenhos industriais e softwares estão associados a direitos que podem ser protegidos, transferidos ou licenciados. A proteção legal permite controlar seu uso, mas não define, por si só, seu valor.

Uma patente sem uma aplicação comercial significativa pode ter pouco valor econômico. O mesmo se aplica a uma marca que não consegue manter a preferência ou a confiança do consumidor. Por outro lado, ativos com grande potencial podem ser subutilizados ou não considerados nas decisões estratégicas.

O valor surge da capacidade de transformar esses direitos em benefícios concretos, como aumento de receitas, ganhos de escala, acesso a novos mercados, redução de riscos ou fortalecimento do poder de negociação.

A valoração torna essa capacidade economicamente visível e fornece uma referência técnica para licenciamentos, vendas, fusões, aquisições, spin-offs e captação de recursos.

A Dimensão Brasileira da Invisibilidade

O suplemento O Brasil no Cenário Global de Investimentos Intangíveis, publicado pelo INPI em 2026, revela que a situação no Brasil é ainda mais alarmante. Em 2023, 71,5% do investimento intangível no país não estava refletido nas estatísticas oficiais. Isso representa R$ 546,5 bilhões que não são contabilizados nas contas nacionais, equivalendo a 5% do PIB brasileiro.

Quando somadas as partes medidas e não medidas, o investimento intangível brasileiro chega a 7,6% do PIB, superando a participação dos setores agropecuário e financeiro.

Essa invisibilidade também se reflete dentro das empresas. Parte do valor gerado por marcas, tecnologias, métodos e conhecimento não é refletido nos balanços financeiros. Em negociações, isso pode resultar em perdas significativas ao subestimar uma tecnologia, uma marca ou o patrimônio intangível que sustenta o negócio.

Uma Pauta para a Alta Gestão

Os ativos intangíveis não têm um valor fixo. Sua importância varia de acordo com o mercado, a proteção, as alternativas disponíveis, os riscos e o objetivo da análise.

Por isso, essa discussão é estratégica para o negócio e deve envolver toda a organização. Seja nas áreas jurídica, contábil, de marketing, inovação, tecnologia ou gestão de pessoas, cada setor percebe uma faceta do ativo. É responsabilidade da alta gestão e dos conselhos garantir que esse patrimônio seja compreendido de forma integrada e considerado nas decisões sobre crescimento, capital e continuidade.

Os US$ 10 trilhões investidos em intangíveis mostram que o capital já mudou de direção. Mais do que a quantidade de ativos intangíveis que as empresas conseguem criar, o futuro delas será determinado pela capacidade de reconhecê-los, protegê-los e convertê-los em valor econômico real.

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Fonte: https://economiasc.com/2026/09/15/o-que-os-us-10-trilhoes-investidos-em-intangiveis-revelam-sobre-o-futuro-das-empresas/

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