A Evolução da Liderança: Da Técnica à Adaptabilidade nas Empresas
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Redação
Por Everaldo Artur Grahl, presidente da Fritz Müller – Hub de Conhecimento.
Durante muito tempo, alcançar uma posição de liderança significava, acima de tudo, ter um domínio técnico em uma área específica. Era comum ver engenheiros que conheciam cada detalhe da linha de produção, profissionais de finanças que dominavam planilhas e vendedores que conheciam a fundo o histórico de cada cliente. A competência técnica era o principal critério para promoções, e o controle sobre processos e pessoas era a principal ferramenta de gestão.
Embora esse modelo ainda persista em muitas organizações, ele está perdendo força como referência para uma liderança eficaz. Um levantamento da consultoria Robert Half revela que a adaptabilidade se destaca entre as habilidades mais valorizadas para cargos de gestão, junto com inteligência emocional e comunicação clara. Isso indica que o conhecimento técnico, por si só, não garante mais um bom desempenho na liderança de equipes.
Um dado ainda mais impactante vem do estudo Global Human Capital Trends 2025, da Deloitte: 74% das empresas em todo o mundo afirmam que sua competitividade depende da capacidade de seus líderes se adaptarem rapidamente a mudanças, mas apenas uma pequena parte delas considera que seus líderes estão preparados para esse desafio. Essa discrepância entre as expectativas e a realidade é um dos principais obstáculos na gestão no Brasil atualmente.
Essa transformação é chamada de liderança adaptativa. Ao contrário do gestor que aplica soluções já conhecidas, o líder adaptativo é treinado para lidar com situações inéditas, onde a resposta correta não está em nenhum manual. Isso requer um tipo diferente de preparação — menos focada em acumular conhecimento técnico e mais voltada para desenvolver a capacidade de tomar decisões em ambientes com alta diversidade de variáveis e múltiplos interesses.
Esse deslocamento tem sido a base da trajetória da Fritz Müller ao longo de seus 30 anos. A parceria com a Fundação Dom Cabral colocou a instituição no centro desse debate antes mesmo de se tornar uma tendência de mercado: programas que, há três décadas, formavam gestores para dominar processos, hoje preparam executivos para liderar com ambidestria, gerenciando o presente sem perder a visão de futuro.
A liderança que formávamos no passado priorizava o controle. A liderança que cultivamos atualmente precisa se concentrar na tomada de decisões em meio à incerteza.
Outro aspecto, menos discutido, mas igualmente importante, é que o líder não é mais avaliado pela quantidade de decisões que toma sozinho, mas pela qualidade das decisões que constrói em conjunto com equipes cada vez mais diversas em formação, geração e repertório cultural. Liderar hoje é menos sobre ter a resposta pronta e mais sobre criar as condições para que a melhor solução surja, independentemente de sua origem dentro da organização.
Os 30 anos da Fritz Müller não são apenas uma data comemorativa. Eles representam a jornada de uma organização que ajudou a redefinir o que significa liderar em Santa Catarina. Nos próximos anos, é razoável esperar que o mercado exija líderes ainda mais diversos e preparados para decidir sem certezas.
Por isso, a Fritz Müller continua relevante após três décadas. Não porque tenha todas as respostas, mas porque oferece um espaço onde os executivos podem testar suas decisões antes de apresentá-las à equipe, além de ouvir colegas de outras empresas que enfrentam dilemas semelhantes. Formar líderes, no final das contas, é proporcionar tempo e apoio para que possam refletir com mais cuidado antes de decidir.
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