Como as empresas usam aromas para vender seus produtos

Por trás das essências utilizadas no comércio, existe uma ciência que pode influenciar o comportamento do consumidor. Entenda

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Foto Pixabay

Quem nunca sentiu algum perfume gostoso ao passar em frente a um estabelecimento? O cheirinho é, às vezes, tão bom, que dá vontade de entrar e não sair de lá nunca mais.

O varejo é consciente da influência dos odores no comportamento humano, e usa essa peça a seu favor.

A ciência dos aromas

Os cheiros fazem parte do “kit imersivo” que compõe a identidade de uma loja, assim como as cores, a decoração, uniformes, música ambiente, iluminação etc. Imagine uma cafeteria sem cheiro de café, uma pizzaria sem cheiro de pizza à lenha, e até mesmo uma loja da Melissa sem cheirinho de chiclete: sem os aromas, não apenas a identidade do local seria afetada, mas os instintos de compra dos consumidores seriam muito menos atiçados. 

O cheiro é o sentido humano mais intimamente ligado à memória. Sentir o cheiro da nossa comida favorita, por exemplo, desperta lembranças muito mais rapidamente do que olhar para ela ou colocá-la na boca.

Uma matéria da Air Scent explica que, quando um cheiro chega ao nariz humano, é transportado e processado por um bulbo olfativo no sistema límbico do cérebro. Essa estrutura estimula a emoção e a memória, por isso, acabamos vinculando cheiros à experiências boas ou ruins. Essa é a razão pela qual nós conectamos odores a determinados momentos de nossas vidas.

Em busca do aroma perfeito

Para criar essa atmosfera perfumada, varejistas utilizam nebulizadores de aromas, onde óleos aromáticos são convertidos em vapor seco. Esses nebulizadores também podem ser integrados em sistemas de ar condicionado, tendo um efeito mais discreto para lojas.

Locais cujo cheiro seja inerente dos produtos, como padarias, por exemplo, podem posicionar as suas saídas de ventilação de uma maneira estratégica, que faça o perfume correr pela loja e além.

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Mas escolher o perfume correto para um instalação não é uma tarefa fácil, e precisa ser feita com muito cuidado. Alguns deles causam alergias e enjoos em algumas pessoas, então as notas, a composição e a dosagem precisam ser escolhidas por profissionais.

Um estudo feito pela ScentAir mostra que perfumes que não correspondem ao contexto da loja tendem a afastar consumidores, causando uma associação negativa que não despertará interesse de compra. Desta forma, errar o perfume ou a dosagem pode ter um efeito ainda mais negativo do que simplesmente não utilizar nada.

Funciona mesmo?

De acordo com estatísticas coletadas pela Focus in Future, ambientes perfumados podem aumentar a intenção de compra dos clientes em até 80%.

A Nike replicou este estudo em suas lojas e, de fato, a intenção de compra dos usuários aumentou nesta exata porcentagem durante o período de testes.

Um outro experimento, feito em um minimercado, mostrou que a venda de cafés aumentou em 300% após começarem a exalar o aroma da bebida pela rua.

O estudo da Focus in Future comprovou, também, que as pessoas tendem a se prolongar 40% mais em áreas com cheirinhos bons, e esses aromas melhoram o nosso humor na mesma porcentagem: 40%.

O guia da Air Scent indica que notas perfumadas de marfim e especiarias passam um sentimento que é associado à prosperidade e luxo.

Já a colocação de óleo de pimenta preta, quando infundida em colônias “masculinas”, cria um perfume exótico, rico e terroso, que tem potencial de incentivar a compra em clientes do gênero masculino.

Aromas mais delicados, como notas florais e baunilha, performam bem em boutiques de roupas femininas. Enquanto spas, clínicas e resorts são mais propensos a utilizarem aromas de lavanda e capim-limão, por terem efeito calmante.


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