Saraiva pensa em nova alternativa para recuperação

O desafio da Saraiva e de outras livrarias está em superar a queda das vendas e da receita de suas lojas. Atualmente, ambas investem na diversificação de ofertas

O mercado editorial brasileiro sofre sua pior crise. Além do surgimento da internet e a falta de adaptação das editoras e das livrarias à ela, essas companhias não souberam fazer uma gestão financeira inteligente. Agora, a Saraiva, maior rede de livrarias do país, encontra dificuldades para elaborar um plano adequado de recuperação judicial. A marca vive nesta situação desde novembro do ano passado. A dívida é de 675 milhões.

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Este é um cenário difícil e muito desafiador para a companhia que, agora, precisa pensar em uma boa maneira de se salvar do naufrágio que atinge o mercado. Mais de 100 editoras são credoras e, durante todos esses anos venderam seus livros em consignação. A proposta da livraria era pagar 5% da dívida em 14 anos com uma carência de 12 meses, e todo o resto seria convertido em debêntures. Ou seja, trocar uma dívida por outra.

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O plano foi imediatamente rejeitado e, em uma tentativa de impedir um decreto de falência por parte da justiça, a empresa decidiu adiar a última assembleia de credores que aconteceria no dia 18 de junho. A principal dificuldade em relação aos shoppings (que cedem as lojas alugadas) e as editoras é a de que os debêntures são convertidos em ações, o que não interessa nenhuma das duas partes.

A dívida também se estende ao Banco do Brasil, maior credor da rede, com um saldo de R$ 90,7 milhões. As negociações com o banco seguem positivas, e há indícios, de acordo com o Valor Econômico, de que as negociações de um novo plano seguem com sucesso. Nesta semana a justiça liberou um crédito de cartão no valor de R$ 32 milhões na posse do Banco do Brasil.

Uma novela interminável para o mercado editorial

Os desafios da Saraiva e de outras livrarias está na queda das vendas e da receita de suas lojas. Atualmente, ambas investem na diversificação de produtos, com a comercialização de equipamentos de tecnologia.

Já as editoras buscaram novas alternativas para que o mercado não seja tão prejudicado. Uma delas é a venda de e-books pela Amazon e clubes de assinatura de livros, que são tendências no mundo digital.

Agora a expectativa reside no consenso geral em uma solução mais atrativa aos credores, no ritmo em que novos grupos se reúnem para as próximas assembleias. A empresa espera chegar em uma breve solução e está focada exclusivamente em sua recuperação judicial.

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