O movimento das gigantes da alimentação em direção ao mercado vegano

Carrefour e Pão de Açúcar fecharam parceria com a startup brasileira de hambúrguer vegano Fazenda Futuro. Até o dono da Ceratti, famosa pela mortadela, aderiu ao novo mercado

Unsplash

Lançada em abril, a Fazenda Futuro é a primeira foodtech 100% brasileira dedicada à produção de carne à base de plantas, sem nada de origem animal, mas com sabor e textura da carne bovina.

A ideia de comida sustentável tem se solidificado e virado um negócio promissor, atraindo, inclusive, os grandes players do varejo, como Carrefour e Pão de Açúcar, as duas maiores redes de varejo alimentar que atuam no Brasil.

O GPA, grupo dono das redes de supermercado Extra e Pão de Açúcar, está vendendo o Futuro Burger, produzido pela startup brasileira, desde maio deste ano. Para aprofundar sua atuação no segmento de opções veganas, o GPA fechou parceria com a Fazenda Futuro e com a ONG The Good Food Institute.

Uma pesquisa da Barclays apontou que as vendas de substitutos vegetais podem ocupar 10% das de carne vegetal no mundo, o que representaria 140 bilhões de dólares nos próximos 10 anos. O segmento de proteína animal chegaria a 1,4 trilhão em 2029.

Além do GPA (com as bandeiras Pão de Açúcar e Extra) e Sam’s Club e os varejistas regionais Hirota, Muffato, La Fruteria, St Marche e Zaffari (SP e RS) já contam com a novidade em suas gôndolas. Para o Brasil como um todo, a startup aposta na parceria que fechou há poucos dias com a rede francesa Carrefour.

Ampliando sua presença em redes no varejo e food services Brasil a fora, em dois meses, o número de parcerias da Fazenda Futuro com lanchonetes e restaurantes saltou de 2 para 28, mostrando que há demanda para alternativas mais sustentáveis e saudáveis aos produtos de origem animal. No total, já são 92 parceiros comerciais entre food services, e-commerce de congelados, redes varejistas e pontos especializados em diversos estados do sudeste, sul e nordeste.

Restaurantes

No serviço de food, o hambúrguer já está disponíveis nos restaurantes T.T. Burger, do chef Thomas Troisgros, Lanchonete da Cidade, Balada Mix, B de Burger, Delírio Tropical, Red Burger, The Black Beef, no HUKE, entre outros. A startup também anunciou parceria com a rede Spoleto, que deve passar a receber a opção em breve.

O hambúrguer feito à base de grão de bico, proteína de soja, proteína de ervilha e beterraba, não imita o tradicional apenas no gosto e na aparência, seu valor nutricional também é semelhante à opção feita de carne. Enquanto o Futuro Burger tem 283 calorias, de acordo com a sua produtora, o hambúrguer de carne tem, em média, 295, levando em conta os valores nutricionais divulgados pela Sadia.

Da mortadela para o mercado vegano

O empresário Marcelo Ceratti fez uma mudança brusca nos seus negócios, ainda que dentro do segmento de alimentação. Ele vendeu a Ceratti, famosa pelas suas mortadelas, para a americana Homel. Com uma parte pequena desse dinheiro, investiu em uma startup voltada para atender o público vegano. A Beleaf, que já vende diretamente ao consumidor final pela internet, promete ter, no futuro, 50% das suas vendas ao varejo. A empresa está para lançar seus pães veganos na rede de mercados do Pão de Açúcar.

O ex-dono da Ceratti gastou apenas R$ 1 milhão nessa nova ideia, uma quantia ínfima comparado ao que recebeu com a venda da empresa fundada pela família. A Ceratti foi vendida à Homel por R$ 360 milhões, segundo informações do Valor Econômico. A Beleaf contou também com investimento de um fundo de capital, o Rise Ventures. A startup captou R$ 2,5 milhões e está avaliada em R$ 8 milhões.

Apesar do faturamento relevante da startup, que deve fechar 2019 com receita de R$ 3 milhões, os números ainda são muito discretos na comparação com a antiga empresa da família Ceratti. A produtora de mortadelas fatura R$ 400 milhões por ano. Promissor, o mercado vegano ainda vai ter que comer muita soja para disputar mercado com os alimentos tradicionais.

LEIA TAMBÉM: Carrefour vai dar aulas a clientes sobre alimentação sustentável