Transportadora muda operação de olho na demanda do consumidor final

Transportadoras que antes só faziam entrega B2B passam a remodelar sua operação para atender também as vendas ao consumidor final

Especializada em carga fracionada de valor agregado, como eletrônicos, autopeças, cosméticos e vestuário, a Jamef, transportadora de São Paulo, reformulou seu novo centro de processamento e distribuição, em Barueri, São Paulo. A empresa remanejou 320 funcionários para a ponta da operação, que consiste no recebimento e envio das mercadorias. A linha de tratamento do pedido passou a ser toda motorizada.

Hoje, 35% das entregas da Jamef são de compras realizadas pela internet. “Nossos clientes fazem entregas para empresas, lojas e cliente final. Tivemos que nos dedicar também ao consumidor final, que não era o nosso core”, afirma Michael Oliveira, diretor de operações da Jamef.

Hoje, a Jamef faz 3 milhões de entrega por ano, somando mais de 600 mil toneladas e 12 milhões de volumes. Além dos caminhões, a empresa também conta com aviões, mas para esse tipo de transporte, ela tem parceria com as empresas aéreas.

Foram investidos 10 milhões de reais em equipamentos do centro de distribuição para triplicar a base de pedidos tratados pela empresa só em Barueri. “A unidade tinha capacidade de 30 mil volumes por dia. Agora, são 100 mil volumes movimentados. Aumentou muito a capacidade e, tão importante quanto: gerou menos avaria”, afirma Oliveira.

A transportadora também está apostando na roteirização e informação ao cliente para que ele acompanhe o pedido em tempo real. “O cliente recebe a informação que, devido ao trânsito ou alguma intempérie, a carga vai atrasar 20 minutos. Ou que, por algum evento, ela chegará mais cedo. Isso tudo passamos para ele, momento exato da chegada do produto. É a precisão da informação baseada em inteligência artificial”, destaca.

Redução de sinistros

Toda carga é rastreada pela transportadora desde a coleta. E, a partir desse momento, o cliente pode acompanhar o processo de entrega pela internet. “Com essa rastreabilidade, conseguimos fazer cálculo de risco. A cada entrega, o motorista precisa que a central autorize a abertura e o fechamento da porta e precisa fazer a descarga em 3 minutos.”, relata Oliveira.

Dos 1.200 veículos rodando da Jamef, 630 próprios. Entre esses, mais de 200 caminhões são Mercedes-Benz, principal fornecedora da transportadora. A montadora tem trabalhado soluções de olho nas novas demandas. “A última coisa que a Mercedes quer é o motorista inseguro, por isso demoramos para implantação do câmbio automatizado e mudança da cabine de alguns modelos”, aponta o vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós Vendas da Mercedes-Benz.

Para reduzir sinistros em algumas regiões com maior índice de cargas, a Jamef tem contratado motoristas locais, que são conhecidos dos moradores e transitam com maior facilidade. “Hoje, nosso sinistro na transferência é perto de zero. Os pequenos roubos que ainda persistem são, geralmente, na porta do cliente.

E na tarefa de proteger a vida dos caminhoneiros, a transportadora fechou uma pareceria com o Instituto do Sono para entender como diminuir os acidentes por sonolência. Sensores nos caminhões da empresa são capazes de identificar o movimento dos olhos do motorista. “Se ele piscar por 3 segundos, o alerta é imediato. Se percebermos isso, orientamos para que ele pare. Implementamos em janeiro e desde lá zeramos os acidentes”, garante o executivo.