“Continuo acreditando no varejo tradicional”, diz Luciano Hang

Durante a Feira Brasileira do Varejo, dono da Havan falou sobre as metas da rede, preocupação com a tecnologia e trajetória de sua empresa

Luciano Hang durante palestra na Feira Brasileira do Varejo / Crédito: Divulgação

A Havan tem mais de 110 megalojas espalhadas pelo Brasil. Segundo Luciano Hang, dono da rede, são mais de 1,5 milhão de metros quadrados construídos. A varejista soma sua capilaridade a um grande mix de produtos para projetar crescimento de 65% em 2019, com faturamento de R$12 bilhões.

Em palestra que abriu a Feira Brasileira do Varejo (FBV), Hang falou sobre o suposto apocalipse do varejo físico. O empresário defendeu as lojas fisicas: “elas não vão acabar, as pessoas querem sair de casa e ir para uma loja. Continuo acreditando no varejo tradicional”.

Hang tem metas ousadas para a Havan. Ele conta que o objetivo da rede é ter 200 mega lojas até 2022 e disse ainda que o ritmo de abertura de lojas deve ser maior que o esperado. Assim, a empresa terá mais de 200 unidades dentro de três anos e estará presente em todos as unidades da federação.

Para o executivo, a tecnologia não avança na mesma velocidade que o senso comum determina, ele explica que usa a inovação para encantar as pessoas. “Não fique queimando a cabeça pensando que seu negócio vai quebrar, que a internet vai passar por cima, faça o seu melhor. Cada negócio muda conforme a necessidade de seus clientes”, diz.

Gestão de pessoas

Um dos fatores do sucesso das lojas de Hang, segundo ele, são as pessoas. O empresário dedicou boa parte de seu tempo na FBV a falar sobre os colaboradores da Havan. O CEO disse que a comunicação é o item mais importante para motivar os funcionários e que os líderes precisam dizer constantemente aos colaboradores onde querem chegar. “Um grande líder não fala como conquistar a montanha, mas fala que quer conquistar a montanha. A partir daí sua equipe vai traçar uma estratégia. Confie nas pessoas, elas querem sair de casa para fazer o seu melhor.

Hoje a Havan contrata 10 mil pessoas por ano. Para o dono da empresa, não há outra organização que ofereça um plano de carreira melhor que a varejista no Brasil. “Digo para eles (colaboradores da Havan) que não tem uma empresa onde eles podem crescer mais”. Luciano Hang explica que a comunicação com os funcionários é sua principal ferramenta de motivação: “converso individualmente, faço reuniões de equipe semanais ou mensais, parece até uma igreja”, brinca.

Conselhos aos empreendedores

Durante a FBV, Hang distribuiu dicas aos empreendedores ao falar da trajetória de sua empresa. A Havan começou como uma pequena loja de tecidos em uma sala de 45 metros quadrados. Bem-humorado, Hang conta que tirava os tecidos do espaço à medida que as pessoas chegavam na loja.

O pequeno estabelecimento em Brusque, Santa Catarina, se transformou em uma empresa presente em quase todos os estados brasileiros e que deve faturar mais de R$12 milhões em 2019. “Comece pequeno, mas sonhe grande. Eu não aceitava quando chamavam o meu negócio de ‘lojinha’. Ninguém pode dar a desculpa de que é impossível. O impossível não existe”, afirma.

O executivo citou ainda sua experiência na Tailândia, onde comprou 5 milhões de baleiros de vidro por R$0,28 e vendeu em suas lojas a R$1,99. “Eu sabia se ia dar certo? Não, mas empresário precisa ter coragem”.

Brasil

Hang defendeu as reformas tributária e da previdência em sua palestra na FBV. “Tenho certeza que as reformas serão feitas. Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) me disse que vai sair uma reforma (da previdência) robusta e uma reforma tributária incrível”, disse.

O empresário disse que investe no País por acreditar na mudança nas regras de aposentadoria: “continuo investindo e acreditando, só paro quando ver que as reformas não saíram”.

Para o fundador da Havan, os empresários precisam ser ativistas políticos, e é preciso “sair do muro”. No evento, que acontece em Porto Alegre, Hang disse que os governos dos petistas Lula e Dilma Rousseff “dizimaram” as empresas do Rio Grande do Sul e atribui culpa ao empresariado da região: “cada um aqui é culpado, todo mundo ficou calado. Daqui para frente é manifestação”