Com desemprego dos mais velhos, geração Z assume dívidas e contas em casa

Uma pesquisa da CNDL e do SPC Serasa apontou que a maior parte dos jovens brasileiros está dedicando parte do seu orçamento para ajudar nas despesas de casa

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A necessidade de contribuir com as despesas domésticas é o que mais tem impactado a saúde financeira dos jovens brasileiros, aponta o estudo da Câmara Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) com o SPC Serasa. A pesquisa focou no aumento do endividamento entre os jovens de 18 a 24 anos, que compõem a geração Z.

Dois a cada três jovens contribuem para o sustento da casa, somando 65% do total de entrevistados, segundo a pesquisa. Nove em cada dez jovens nessa faixa etárias afirmam ainda que colaboram com o pagamento de ao menos uma despesa no lar.

As despesas mais comuns com as quais os jovens contribuem é alimentação, para 51%. Roupas, calçados e acessórios, 43%. Ajudar no pagamento dos serviços de TV por assinatura ou internet está na rotina de 43%. Entre os que compram produtos de beleza e higiene estão 34%. Contas de luz e água são pagas por 27% dos jovens.

Os números mostram ainda que, 47% dos jovens nessa faixa etária não fazem controle das suas finanças. Entre os que conseguem guardar algum dinheiro, 53% mantêm aplicações na poupança, o principal lugar para salvar algum dinheiro. Depois, vêm o “dinheiro embaixo do colchão”, com 25% dos brasileiros guardando dinheiro dentro de casa. Outros 20% mantêm na conta corrente.

Motivos para guardar

O principal motivo para que os jovens se proponham a guardar dinheiro são os imprevistos, para 33% do total. Para 21%, poupar tem a ver com a vontade de viajar e para 19% está relacionado com a aquisição da casa própria.

Entre os que não conseguem guardar, 16% afirmam que isso se deve ao fato de que não há rendimento suficiente para isso. Outros 19% dizem não fazer porque não sabem como. A pesquisa aponta ainda que 78% dos jovens da geração Z tem alguma fonte de renda.

Na outra ponta

O desemprego ultrapassa a casa dos 11 milhões de jovens brasileiros e os que conseguem manter uma atividade econômica têm sido mais responsabilizados pelo pagamento das contas. Na outra ponta, os mais velhos são os que mais sofrem com o desemprego e com capacidade reduzida de contribuir com os gastos em casa.

Segundo dados oficiais da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, o desemprego entre pessoas com mais de 60 anos cresceu 199,3% para mulheres e 147,2% para homens entre 2012 e 2018.