O Dia do Consumidor hoje é uma data comercial, mas sua origem está no Direito

O Dia Mundial do Consumidor foi criado para marcar os direitos e as boas práticas nas relações de consumo, mas acabou virando oportunidade para o varejo. Conheça essa história:

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O Dia Mundial do Consumidor surgiu há 57 anos como forma de promover uma reflexão sobre os direitos do consumidor. Foi assim: em 1962 desse mesmo dia, o ex-presidente norte-americano, John F. Kennedy foi ao Congresso americano e defendeu os direitos dos consumidores, dentre eles o acesso à informação e a garantia que o cliente deve ser ouvido. Em 1985, a ONU, influenciado pela fala de Kennedy, aprovou diretrizes que ajudaram a construir leis que aprimoraram as relações de consumo ao redor do mundo, como é o caso do Brasil e do Código de Defesa do Consumidor, sancionado em 1990.

Em outras palavras, a data é um importante pretexto para que todos os envolvidos nas relações de consumo reflitam sobre o tratamento dado ao cliente final. No entanto, a data também vem ganhando outra finalidade: o Dia Mundial do Consumidor está se transformando em uma importante data comercial do varejo, especialmente para o e-commerce.

Um estudo feito pelo Ebit/Nielsen, empresa especializada em pesquisas de consumo no varejo online, exibe essa vocação comercial da data. De acordo com o estudo, o Dia Mundial do Consumidor deve gerar um faturamento de R$258 milhões no e-commerce em 2019, uma alta de 18% em comparação com os R$229 milhões reportados na data no ano passado. Além disso, o levantamento mostra que o número de pedidos deve subir de 521.322 mil para 536.382 mil, alta de 2,9%, enquanto o tíquete médio deve crescer 14,5%, de R$420 para R$481. “O objetivo do Dia do Consumidor é aquecer as vendas em um dos meses de menor faturamento do ano, impulsionando o desempenho do setor no primeiro trimestre, que historicamente é o menos importante para o e-commerce”, explica Ana Szasz, head da Ebit/ Nielsen.

Ainda segundo Ana, em termos de faturamento médio diário, o Dia do Consumidor Brasil só perde para a Black Friday, justamente o principal período para o comércio eletrônico. “É uma época que está crescendo e se consolidando no calendário anual do varejo. A cada ano, expande o número de lojistas participantes e de ofertas. Isso chama a atenção do consumidor, uma vez que ele ganha outra oportunidade de comprar mais pagando menos. E, do outro lado, o lojista consegue alavancar às vendas em um mês que anteriormente era frio”, conclui.

Com mais esta oportunidade para o comércio, a Kantar Millward Brown identificou estratégias que podem impulsionar ainda mais as vendas neste período. Trata-se de fazer campanhas assertivas baseadas na emoção. Muitos profissionais de marketing ainda acreditam que os consumidores façam escolhas de marca com base em argumentos lógicos e persuasivos. Mas, segundo Silvia Quintanilha, vice-presidente de atendimento da Kantar Millward Brown, “o que acontece, de fato, é que elas são impulsionadas pela emoção e pelo sentimento, porque quanto mais você se sente atraído por uma marca, maior a probabilidade de comprá-la”, explica.

Por isso, com o aumento de reconhecimento do Dia do Consumidor e a atenção maior por parte do público com relação à data, as marcas podem aproveitar o momento para criar campanhas de mídia direcionadas, otimizando estratégias de vendas focadas na emoção. “O poder da identificação da marca com base emotiva são as chaves para aproveitar esse momento de datas especiais e atrair o cliente”, finaliza.