O que o GPA fará com hiper e supermercados diante da avalanche do atacarejo

Diretor executivo do Extra, Marcelo Bazzali aponta que o marketshare do Assaí aumentará ainda mais ao longo deste ano. Saiba o que o GPA prepara para as outras bandeiras

(cred: Divulgação)

Prestes a encerrar o primeiro trimestre do ano, o Assaí mostra que continua com vigor para crescer dentro do Grupo Pão de Açúcar (GPA). Durante o 7º Fórum Lide do Varejo, o diretor executivo do Extra, Marcelo Bazzali, afirmou que a categoria de atacarejo do grupo continua a crescer acima das outras e que deve concretizar o desempenho até o fim do ano.

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O executivo relaciona o desempenho do atacarejo neste final de década ao do hipermercado no início dos anos 1990. Ele afirma, porém, que, assim como os hipers (lojas com cerca de 40 mil SKUs), o atacarejo (chamado de cash and carry – que tem de 7 mil a 10 mil SKUs) também terá seu momento de esfriamento.

Bazzali afirma que o desempenho descendente dos hipermercados não é uma exclusividade brasileira. “O hipermercado vem passando por dificuldades no mundo nos últimos 15 anos, mas é um formato que ainda mantém sua proposta de valor, principalmente em pequenas cidades, onde continua sendo a loja da cidade”, afirma.

Nos grandes centros, o hipermercado também se mantém como uma solução relevante a depender da região. Bazzali explica que em regiões verticalizadas, o atacarejo tem dificuldades para chegar por conta do altíssimo fluxo nas ruas, que complicam muito mais a logística mais dinâmica dos atacarejos.

O executivo alerta que a vida dos hipermercados tende a ser cada vez mais dura em regiões onde ele precisa dividir espaço com os atacarejos, mas que o cash and carry tem dificuldade de oferecer proposta de valor para alguns segmentos em específico. “O atacarejo não tem proposta de valor para não alimentos, que é um diferencial do Extra. Além disso, 75% dos lares hoje têm pets. Temos áreas muito fortes de bazar e eletro, área de confecção consolidada e ainda uma área de perecíveis onde o atacarejo não chega. Ele não consegue ter proposta de valor para frutas legumes e verduras, padaria e açougue, por exemplo”, enumera.

Supermercados e lojas de proximidade

Se na ponta da grande variedade de produtos e baixa experiência, o atacarejo vem avançando sob a resistência do hiper, na ponta de alta experiência, as lojas de proximidade impõem uma reinvenção aos supermercados.

Bazzali lembra que o GPA tem como diferencial para sua rede de supermercados o fato de conseguir oferecer experiência e variedade de produtos por meio das tradicionais lojas do Pão de Açúcar, que atendem as classes com maior poder aquisitivo. “O Pão de Açúcar está mais inserido em regiões e bairros mais voltados para as classe A/B. Ele atende um nicho específico e conseguiu crescer mesmo nos últimos anos de crise”, conta.

O Extra, por outro lado, mais voltado para um público consumidor de menor poder aquisitivo, tem apostado na reinvenção drástica de muitas de suas lojas. “No Extra super, estamos fazendo todo um trabalho de conversão que começou ano passado, quando convertemos uma parte das lojas para a marca Compre Bem, que é uma marca nossa. Outra parte está virando o Mercado Extra, de proximidade”, relata Bazzali.

A proposta dos mercados de proximidade é compreender melhor microrregiões para disponibilizar um mix de produtos próprios para cada localidade; uma tarefa nada fácil, segundo Bazzali.  “O varejo nas microrregiões tem uma certa complexidade porque você tem que olhar site por site. O cluster de loja e o sortimento para aquela loja em específico.

Hoje, o GPA tem duas bandeiras de proximidade dedicadas a substituir gradativamente os supermercados, são elas Mini Mercado Extra e Minuto Pão de Açúcar, com lojas que chegam a no máximo 12 mil itens e 1.500 metros e, no mínimo, 2.500 itens e 250 metros quadrados.