As perspectivas da Stone, o mais novo unicórnio brasileiro, para o Brasil e o mundo

Executivos da Stone, empresa brasileira de meios de pagamento que abriu capital na Nasdaq, falaram sobre as perspectivas econômicas no Brasil e no mundo

Foto: divulgação

Depois de se tornar o mais novo unicórnio brasileiro e abrir capital na bolsa de Nova York, a Stone, de meios de pagamento, está interessada em ampliar seu escopo para além das maquininhas. “Estamos para além da maquininha de cartão, trabalhando na automação do ponto de venda e no fomento da relação com o cliente. E vimos muito disso na NRF (a famosa feira de varejo de Nova York, que indica as tendências de varejo no mundo)”, diz Augusto Lins, presidente da Stone Co.

LEIA MAIS
Em reunião com Paulo Guedes, grandes varejistas apresentam propostas para o setor
Com crescimento de 41% no último tri, Alibaba quebra recordes na China
Reforma Fiscal: quais são as propostas do novo governo para reaquecer consumo e investimentos?

O executivo aponta para a era do chamado “novo varejo”, termo que sucede o varejo omnichannel e que foca na jornada do consumidor e na transformação da loja física em um hub de experiência. “Como se faz isso? É preciso acumular cada vez mais dados. E quem está liderando (essa nova era) é a China”, completa Lins.

Vinicius Carrasco, economista chefe da Stone, afirma que a gigante economia asiática passa por um momento de virada de chave que traz desafios ao mundo para manter a curva ascendente da transformação digital. Segundo o último plano quinquenal chinês, o País espera liderar a corrida tecnológica no mundo até 2030, passando os EUA. Para isso, “a China tem o desafio de sair de uma economia de investimentos para uma de consumo, já que por diversos motivos os chineses se viciaram em poupar. Isso está sendo mais ou menos bem sucedidos, até começar o trade war”, destaca o economista ao lembrar da guerra comercial entre China e EUA.

Para acelerar sua ascensão, a Stone, bem como as empresas de capital intensivo, terão que encarar alguns desafios. Segundo Carrasco, a guerra comercial pode trazer ganhos imediatos às economias que resolvem impor novas fronteiras nas relações entre os países. “Mas tem um custo alto mais adiante e precisa ser dito que o consumidor passa a ter menos acesso a bens de consumo” avalia Carrasco.

Além da redução no mix de produtos e do aumento de preços para o consumidor final, o economista aponta mais um efeito deletério para as relações econômicas e para o consumo, o menor acesso das empresas a bens de capitais (maquinário), o que dificulta a retomada da produção.

Economia global e nacional

Carrasco ressalta que os índices de incerteza no mundo são entraves consideráveis para o avanço dos investimentos. Além da questão China/EUA, ele destaca o desejo do Reino Unido de sair da União Europeia, manifestado agora pela Itália, que também tem questões fiscais delicadas que trazem incertezas à região.

No Brasil, o iminente aumento de juros da economia americana (que já entre 2016 e 2019 teve um salto da taxa básica de perto de zero para 2,5%) pode colocar novamente a Selic para o alto depois de recordes de baixa. Segundo o economista, o aumento dos juros nos Estados Unidos tende também a impactar o aumento dos preços no Brasil. “A tendência é que, por aqui, isso imponha mais dificuldades ao banqueiro central para controlar a inflação”, afirma.

Para Carrasco, além da questão da crise de confiança no mundo e do fantasma dos juros altos, o Brasil sofre também por conta da sua baixa produtividade. “Dado o conjunto de máquinas e pessoas de cada época e o que se consegue tirar deles, a gente produz menos do que nos anos 80 e menos do que os EUA produzia há 100 anos. Sem aumentar a produtividade nós não temos como crescer”, alerta.