Brasil terá sua primeira loja exclusiva de bonecas negras

A Era Uma Vez o Mundo resolveu ir além do e-commerce e anunciou a primeira loja física; marca conta com Instituto Ekloos e Oi Futuro para aceleração

Jaciana Melquiades é uma das fundadoras da Era Uma Vez o Mundo

A marca Era Uma Vez o Mundo, especializada na venda de bonecas negras vai inaugurar sua primeira unidade física, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O projeto será acelerado pelo Instituto Ekloos e pelo Oi Futuro, instituto da empresa de telecomunicações Oi voltado para inovação e criatividade.

A historiadora Jaciana Melquíades foi quem criou a marca. Atuando na área de educação, Jaciana teve a ideia de criar os produtos quando engravidou do primeiro filho e não encontrava produtos de decoração para o quarto do bebê com personagens negros. “Para meninos, tem muita coisa do Pequeno Príncipe”, contou à NOVAREJO. Então, unindo ensinamentos de costura da avó, a ajuda da sogra e uma habilidade natural para trabalhos manuais, começou ela mesma a produzir os bonecos negros. Os produtos chamaram a atenção das amigas – “elas falavam que era fofo” –  e Jaciana começou a vender informalmente e como atividade paralela à sua profissão.

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Em 2015, os produtos ganharam uma loja virtual para serem exibidos. Dois anos depois, Jaciana passou a se dedicar exclusivamente ao e-commerce e a profissionalizar o negócio, batizado com o mesmo nome de um blog que mantinha para contar sobre sua vida acadêmica. “Quando virou negócio, entrei em curso de MBA para aprender a gerir. Nesse momento, identifiquei que a parte da produção era um problema para a expansão, pois eu que fazia tudo: cortava, costurava, montava”, relata. A empreendedora precisou treinar outras pessoas para conseguir focar nos negócios e hoje conta com uma equipe de sete pessoas.

O ponto fixo surgiu por conta de um problema ao e-commerce: o frete. Segundo Jaciana, além do custo, o tempo de entrega, via Correios, inibia os consumidores. “O meu ateliê fica no Santo Cristo, na região central do Rio de Janeiro, que os consumidores não estavam dispostos a ir, nem as empresas de entrega. Aquelas que aceitavam ir, cobravam mais”. O local tem apenas 8 m2, mas está no centro da cidade e ao lado de uma estação de metrô. Serve tanto como ponto de venda como de retirada de compras feitas pelo site.

Em média, a marca vende cerca de 100 produtos por mês. Com a expansão, a ideia é chegar no fim de 2019 com uma média de 400.  Outro plano é ampliar o portfólio de produtos, com inclusão de jogos. Mas sempre mantendo o tecido como matéria-prima. “O tecido é muito representativo pra população negra, é fácil e é barato de usar, e ainda mantém a identidade e sustentabilidade de marca”, diz.

A boneca campeã de vendas, Dandara, inspirada na guerreira quilombola

A boneca sensação da  Era Uma Vez o Mundo é a que representa Dandara, famosa heroína e uma das lideranças do Quilombo dos Palmares, uma das maiores e mais importantes comunidades de resistência à escravidão durante o Brasil Colonial. A boneca de Dandara é oferecida em 15 estampas e modelos diferentes e feita com tecido africano, mais um aspecto essencial do negócio de impacto social.

A marca também oferece duas versões do boneco ‘Pequeno Príncipe Petro’, roupinhas para as bonecas e bonecos e livros infantis feitos de pano.