Pagamento por reconhecimento facial: a grande aposta na China

Cada vez mais, a tecnologia de reconhecimento facial ganha destaque (e polêmicas). Na China, ela é comum. O desafio agora é popularizá-la como meio de pagamento. Confira

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O centro da revolução do varejo na China está em suas soluções tecnológicas, que podem até encontrar paralelo no Ocidente, porém, não na mesma magnitude. A Inteligência Artificial tem liderado as novidades nas lojas chinesas com base principalmente no reconhecimento facial e nas lojas não tripuladas, como se convencionou chamar as unidades físicas que não têm trabalhadores humanos, apenas máquinas interagindo com clientes.

Nas lojas chinesas, o reconhecimento facial tem sido testado não só como método de segurança, mas também como meio de pagamento. Os chineses estão suplantando a capacidade da Amazon Go de identificar o cliente na saída da loja e realizar o pagamento sem cartão e sem a necessidade de o cliente retirar o celular do bolso. O checkout feito por reconhecimento facialestá em fase de testes na BingoBox, uma das grandes varejistas chinesas.

Se para os brasileiros e outros povos, o reconhecimento facial pode ferir barreiras éticas, para o chinês, a tecnologia é mais aceitável. Uma pesquisa divulgada pelo eMarketer aponta que 62% dos consumidores na China dizem ficar felizes por usar biometria como método de pagamento. Além disso, 61% preferem usar self-checkout. 41% dizem gostar de comprar com lojas físicas não tripuladas.

No Brasil, por exemplo, o próprio self-checkout ainda encontra uma barreira cultura. Os brasileiros são muito afeitos ao atendimento humano.

EUA x China

Em 2018, a Amazon Go, bandeira não tripulada de loja física da Amazon, teve suas primeiras unidades inauguradas. Na China, a Bingo Box, por exemplo, dá passos à frente, expandindo rapidamente sua rede de lojas sem trabalhadores. A varejista chinesa aposta em sensores e tecnologia de visão computacional para rastrear os movimentos dos compradores dentro da loja e os itens que são retirados das prateleiras. A lógica é semelhante à das lojas da Amazon.

A primeira experiência da BingoBox com lojas não tripuladas foi feita em Xangai, segundo o portal eMarketer. No local, os consumidores pegam os produtos, passam o código no celular e pagam pelo aparelho. A vantagem da Amazon Go das demais lojas não tripuladas no mundo está em dispensar inclusive a leitura de códigos para o pagamento.

O sistema de Inteligência Artificial da Amazon combinado ao sistema de imagens e sensores das lojas sem trabalhadores permite que os produtos retirados da prateleira sejam prontamente adicionados ao carrinho (virtual) e que o consumidor pague o produto sem precisar acionar o celular. Prontamente, o sistema da loja faz a cobrança assim que o cliente passa a porta de saída.

A BingoBox, porém, trabalha para dispensar até mesmo a presença do celular. Apenas o rosto do consumidor analisado pelas câmeras já será suficiente para confirmar a compra e realizar o pagamento assim que ele abandonar a loja.

Até onde vai a corrida pelo checkout sem atrito?