Divórcio de Bezos deixa investidores de olho na Amazon

Wall Street quer saber de que forma a separação do dono da gigante varejista vai impactar nos negócios da companhia

Divórcios e casamentos de famosos costumam movimentar a cobertura da mídia de celebridades. Mas a notícia do divórcio de Jeff Bezos e  MacKenzie Bezos, anunciado nesta semana pelo casal por meio do Twitter de Jeff repercutiu também nas editorias de economia e negócios.

Investidores querem saber qual o futuro da Amazon, fundada e liderada por Jeff Bezos, após o divórcio do casal. Em uma disputa movimentada, a gigante varejista acaba de se tornar novamente a companhia de capital aberto mais valiosa do mundo, avaliada em 810 bilhões de dólares, ultrapassando a Microsoft, que havia perdido e recuperado a posição para a Amazon ao longo de 2018. A empresa criada por Bill Gates é avaliada hoje em 790 bilhões de dólares, segundo levantamento da CNN do dia 8 de janeiro.

A participação de 16% de Jeff Bezos na Amazon, que corresponde a cerca de 135 bilhões de dólar, o coloca como o homem mais rico do mundo, segundo o Bloomberg Billionaires Index, o que também o deixa à frente de Bill Gates, fundador da Microsoft e que ocupou por um longo tempo a posição de maior fortuna.

Entre fim de agosto e início de setembro, a Amazon bateu 1 trilhão de dólares em valor de mercado, com cada ação valendo 2.050,50 dólares no auge da valorização. Mas a empresa e o setor de tecnologia não sustentaram a alta e as ações da companhia de Bezos caíram 20% desde o recorde, o que não assustou tanto os investidores, que identificaram a alta como irreal. Com o divórcio do fundador da empresa, porém, a expectativa é alta. Wall Street quer saber de que forma a questão pessoal do bilionário afetará o controle da gigante varejista e os futuros projetos, especialmente de expansão.

Os Bezos estiveram casados por 25 anos e, com o divórcio, MacKenzie Bezos deve herdar parte dos 16% de participação do casal na Amazon. Pela lei do estado de Washington, onde vive o casal, os bens acumulados durante o casamento são divididos igualmente entre as partes. A Amazon foi fundada um ano após o casamento dos dois e a divisão da fortuna fará de MacKenzie a mulher mais rica do mundo. Hoje a posição é ocupada pela herdeira da L´Oreal. Por outro lado, deixa Jeff Bezos novamente atrás de Bill Gates, que voltaria a ocupar o topo perdido para o dono da Amazon em outubro de 2017.

Parte dos investidores acredita que o divórcio não deve impactar de forma significativa nos rumos da Amazon, que deve se manter como uma varejista referência em negócios e inovações. Já Doug Kass, que administra o fundo Seabreeze Partners, anunciou que vendeu sua parte na companhia após o anúncio do divórcio.

Em entrevista à Reuters, o analista de investimento Thomas Forte, da D.A. Davidson, que os questionamentos sobre o futuro da companhia legítimos, até porque, devido a sua forte influência no mundo dos negócios, qualquer movimentação atípica vindo de Jeff Bezos pode impactar imediatamente nas ações da empresa.

Já Roberto Bacarella, do fundo Monetta, também em declaração à Reuters, disse não estar preocupado pois, para ele, não haveria motivos aparentes para MacKenzie vender seus 8%, e, mesmo que o fizesse, o impacto seria por um curto período.

 

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