Cerveja com sabor de mudança. Como a ABInBev está desconstruindo o próprio negócio?

Desconstruir o próprio negócio pode deixar de ser um clichê e virar realidade. Mas quantas empresas querem realmente fazer isso?

Como parte da programação do grupo BTR-Varese durante a NRF, os participantes tiveram a oportunidade de assistir palestras e debates exclusivos. Uma delas trouxe Guilherme Lebelson, Vice-Presidente Sênior Global de e-commerce da ZXVentures/ABInBev.

“Quando metade das grandes empresas aprender a inovar como startups, metade do Vale do Sicília vai virar pó”, com este pensamento de Marc Andreesen, criador do Netscape, Lebelson iniciou sua palestra.

A missão da ZX é descobrir oportunidades que ajudem a ABINbev a se manter relevante no mercado de cervejas, criando experiências de marca, aprimorar a conexão com as necessidades dos consumidores. Tudo o que for possível para recriar a experiência de beber cerveja, small pubs, grandes bares, cervejas artesanais, soluções on-line estão no escopo da ZX. Ela quer identificar novos empreendedores que possam resolver criativamente as demandas dos consumidores.

A empresa se organiza em 5 verticais: e-commerce,’cervejas artesanais, experiência de marca, home brewing e exploração de novos negócios ou ideias adjacentes ao consumo de cerveja globalmente. Ela organizou um ecossistema com mais de 145 parcerias e e 40 empresas investidas, concentradas nas Américas, Europa, Ásia e Austrália. Hoje a ZX ensina a máquina tradicional da ABInBev a ser melhor e mais inovadora, agregando novas capacidades.

Lebelson também comentou sobre por que a Abinbev quis criar uma empresa nova. Para evitar a arrogância, a burocracia natural, a falta de habilidades, o foco distorcido na empresa e não nos consumidores, características comuns a organizações incumbentes. Finalmente, é necessário pensar na inovação de largo alcance. A inovação precisa começar grande para fazer sentido.

Mas se esses fatores são importantes para justificar a criação de uma estrutura separada, como empresas grandes conseguem superar elas mesmas o dilema da falta de inovação e da disrupção? Segundo o executivo, a empresa precisa de uma liderança disposta a mudar, construir capacidades, alocar recursos, construção de plataformas, ecossistema e mudança no perfil dos colaboradores, mais criativos e mais funcionais. E tudo isso deve estar sujeito a novas regras de governança elas devem deixar de ser organizações para serem organismos.

A lição deixada pela experiência da ABinBev está centrada na mudança de mentalidade das companhias. Toda empresa está sujeita a dormir na zona de conforto e a reagir contra a mudança necessária. O status quo das empresas precisa ser confrontado para criar rupturas que impulsionem os negócios para novas dimensões.