Apple se vê espremida entre a qualidade do iPhone e o lucro dos acionistas

Tim Cook teve que explicar a acionistas a queda de 5% no faturamento no último trimestre, a primeira queda desde 2000. O executivo destacou a longa vida dos aparelhos como principal motivo da redução das vendas

Crédito: Shutterstock

Tim Cook, executivo-chefe da Apple, teve que explicar aos acionistas em videoconferência na última terça-feira (29) porque a receita da empresa caiu 5% no último trimestre, encerrado em dezembro. A explicação do executivo é que a empresa não é adepta de uma das práticas mais recorrentes no mercado de bens duráveis, a obsolescência programada, a técnica de produzir itens com um prazo de vida menor para que os consumidores comprem outro em um tempo menor.

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Uma matéria do portal americano Financial Times apontou que cerca de 450 milhões de iPhones de todas as gerações estão sendo usados no mundo. A Apple já produziu em toda sua história cerca de 900 milhões de iPhones. Ou seja, metade dos celulares da marca ainda estão em uso. “Nós projetamos nossos produtos para que durem o mais possível”, disse Cook durante a conversa com os acionistas, e acrescentou: “estou convencido de que fazer um ótimo produto, de alta qualidade, é a melhor coisa para o cliente”.

Para manter a moral com os investidores, porém, Cook e os executivos da Apple vão precisar convencer o mercado financeiro de que criar aparelhos mais duradouros é realmente a melhor saída para a Apple enquanto empresa que visa lucro. Os benefícios ambientais são conhecidos, mas os econômicos são colocados sob suspeito por Wall Street.

Redução nos preços

Entre início de outubro e fim de dezembro do ano passado, a Apple viu suas vendas caírem 15% em relação ao mesmo período de 2017. Os resultados trouxeram a primeira queda no faturamento da empresa no quarto trimestre desde 2000, fechando com 84,3 bilhões de dólares no período, queda de 5%.

Para repor as perdas e aumentar as vendas, a Apple está planejando baixar o preço do iPhone fora dos Estados Unidos. A ideia é minimizar o impacto da sobrevalorização do dólar em relação a outras moedas. A empresa ainda não sabe para quais mercados pretende reduzir os preços.

A China foi um dos mercados que mais impactaram a redução de vendas e de faturamento da gigante americana. O recuo nas vendas foi próximo a 10% e de 27,7% no faturamento, caindo de que 18 bilhões de dólares em 2017 para 13 bilhões ao final do ano passado. Na China, a Apple tem enfrentado a concorrência cada vez mais pesada dos fabricantes locais, como Xiaomi e Huawei, que estão estendendo seu domínio também para outros mercados importantes da Ásia, como a Índia.