Vendas no varejo caem em outubro puxadas por móveis e eletrodomésticos

Pesquisa do IBGE aponta queda na comparação mensal puxada por móveis e bens duráveis. Setor livreiro mantém sua via crucis, com queda acentuada. Confira

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As vendas no varejo caíram 0,4% em outubro na comparação mensal. A queda foi puxada pelo setor de móveis e eletrodomésticos, que registrou queda de 2,5%. O segmento de tecidos também teve destaque negativo, com retração de 2% nas vendas. A retração engloba também a venda de combustíveis, que caiu 1,2%.

Frente a outubro de 2017, o comércio varejista cresceu 1,9%. De janeiro a outubro (acumulado no ano) o crescimento foi de 2,2%. Os dados são do IBGE e foram divulgados nessa quinta-feira. Em nota, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que o desempenho ficou “abaixo do esperado”

À espera da Black Friday

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, destaca que o desempenho de outubro pode ter sido impactado pela Black Friday por conta das compras represadas para o mês seguinte.

“Além disso, é preciso chamar atenção para a queda elevada de 23,1% no ramo de livros, jornais, revistas e papelaria, o que reflete o cenário de demissões e recuperações judiciais de editoras e empresas do setor”, avalia o presidente da ACSP.

O setor livreiro foi o mais impactado pela queda na comparação mensal, porém, sua participação no total do varejo é modesta, o que causa abalos menores no mercado como um todo. Em outubro, o segmento, que está no centro das atenções depois do anúncio de recuperação judicial das gigantes Saraiva e Livraria Cultura, registrou queda de 7,4%. Foi a sexta queda seguida, com um acumulado de retração de 23,1% em 2018 na relação com o mesmo período do ano passado.

Outros motivos

A insegurança do consumidor em torno da eleição, com um pleito dividido, provocou a postergação de vendas, segundo Burti. “Ele (consumidor) não quis se comprometer com grandes compras sem saber quem comandaria o futuro do País”, avalia.

Burti também destaca que o avanço de 7,8% no segmento outros artigos de uso pessoal e doméstico (que inclui brinquedos) foi puxado pelo Dia das Crianças. Supermercados, que tem o maior peso dentro do cálculo do IBGE, subiu apenas 2,2%.