GPTW – NOVAREJO: conquistar o colaborador para conquistar o cliente

Pelo quinto ano, parceria entre Great Place to Work e plataforma NOVAREJO destaca os varejistas com as melhores práticas na gestão de pessoas

Patricia Pugas, diretora de Gestão de Pessoas do Magazine Luiza

A atividade varejista reúne 22% dos trabalhadores formais brasileiros, sendo o maior empregador do País depois do governo e, portanto, um importante pilar da economia nacional. Ainda assim, a carreira no varejo não costuma ser alvo de cobiça dos profissionais entrantes no mercado de trabalho. “Há uns 30 anos, a carreira de vendedor, por exemplo, era vista como opção ‘se nada der certo’”, relembrou Luiza Trajano na ocasião do lançamento do Ranking Ibevar-FIA, em agosto deste ano.

Muito mudou neste mercado e hoje, não por acaso, a plataforma NOVAREJO em parceria com o Great Place To Work (GPTW) elaboram até mesmo uma premiação para destacar as melhores práticas em gestão de pessoas específicas para o varejo, que tem como uma das principais características a forte presença de jovens, a maioria no primeiro emprego.

“O varejo é um dos maiores empregadores e é um dos setores que mais sofrem com a rotatividade dos seus profissionais. São muitos jovens; 70% da força de trabalho das empresas premiadas é da Geração Y. Isso é um diferencial quando a gente compara com outras listas do GPTW. Temos muitos jovens nas outras também, mas no varejo é mais forte essa presença”, avalia Daniela Diniz, diretora de Conteúdo e Eventos do GPTW. Daniela comenta que muitas varejistas encaram a rotatividade como algo natural e não investem nas pessoas e no desenvolvimento desses profissionais. “E aí vemos a diferença entre as melhores e as outra do setor; vemos que elas colocam de fato a gestão de pessoas à frente. Cuidam melhor do desenvolvimento dos profissionais e da permanência e atratividade”, diz.

Inovação

Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, destaca que poucos segmentos são tão exigidos por mudanças e inovação, bem como por ambiente competitivo e pressões derivadas do ambiente econômico, como o varejo. “É sempre relevante considerar o quanto pessoas engajadas e com propósito podem fazer a diferença, não só perante o consumidor final, mas fundamentalmente como receptores e disseminadores de inovação”, considera.

Nesse contexto, Daniela acredita que as varejistas estão com mais maturidade e consciência de que é preciso trabalhar para desenvolver um melhor ambiente para seus profissionais, seja qual for a duração do ciclo desse colaborador na empresa. “Embora as empresas saibam que faz parte do mercado, do cenário e do segmento ter alta rotatividade, o que elas podem fazer para ter um bom convívio, e elas querem investir nessa relação com um olhar de que o profissional pode permanecer por mais tempo”, conclui.

Daniela chama a atenção justamente para o fator de permanência apontado na pesquisa. Dos entrevistados, 46% afirmaram que “capacidade de crescimento” é o mais importante quando se considera o fator de permanência. Na sequência está “qualidade de vida”, depois “alinhamento de valores” e, apenas em 4º lugar, “remuneração e benefícios”. “O profissional desse setor busca aprendizado. Antes de salário e benefício, ele está procurando se desenvolver. Se a gente investir de fato em desenvolvimento, em educação, estamos falando de uma porta de entrada para muitos jovens, então essas empresas têm uma oportunidade enorme, até como um papel para a sociedade, de desenvolver esses profissionais”, orienta Daniela.

O novo ambiente de trabalho

Jacques Meir ressalta para os varejistas que, com a transformação digital, há um enorme desafio pela frente quando se fala em capacitação, engajamento e permanência. “Temos todos a necessidade de pensar esse novo ambiente de trabalho. No impacto da automação na sociedade. Pensar como nossos colaboradores podem fazer diferença numa sociedade intensamente digital”.

Neste processo de transformação digital, capacitar é tão importante quanto engajar, acredita Jacques, para que os profissionais possam atuar em colaboração com as novas tecnologias e soluções. “Esta é a grande missão da liderança do século 21”. O executivo conclui fazendo uma provocação aos gestores: “Quantos estão pensando que novas funções podem ser criadas dentro das organizações que as tornem melhores, mais eficientes, mais disruptivas, mais inovadores, mais interessantes e mais vivas? A ideia básica é que nós, como líderes e como gestores, passamos a pensar o papel dos colaboradores numa sociedade digital. E mais do que isso. O papel de nossas empresas numa sociedade digital”.

Confira os vencedores na edição 72 da revista NOVAREJO.