O desafio da 7-Eleven para abastecer 66 mil lojas pelo mundo

Jerome Del Porto, vice-presidente da 7-Eleven, explica como a marca abastece lojas pequenas e com enorme variedade em 66 mil pontos de venda pelo mundo

A 7-Eleven é o principal case de expansão do varejo mundial em se tratando de número de lojas. Até meados deste ano, a rede registrava 66,3 mil lojas pelo mundo e defende a posição de maior varejista do mundo em número de lojas.

Mesmo com esse tamanho colossal, a 7-Eleven continua ganhando terreno. Só no primeiro trimestre deste ano foram inauguradas 1.700 novas lojas pelo mundo. “Abrimos uma loja a cada 1h25. E, na média, uma a cada 3 ou 4 horas no mundo”, disse Jerome Del Porto, vice-presidente Internacional da 7-Eleven.

Em pé, Jerome Del Porto, vice-presidente internacional da 7-Eleven, na ABF deste ano

Aos 91 anos de idade, a 7-Eleven nasceu em Dalas (Texas), em 1927, para vender gelo. O nome foi inspirado no horário de atendimento das lojas das 7h da manhã ás 11h da noite. Hoje, a política da rede é operação 24 horas.

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A expansão rápida da rede começou primeiro pelo Canadá, com a abertura de 69 lojas. Hoje, tem presença em 19 países. O maior mercado da marca é o Japão, com mais de 20 mil lojas (quase um terço do total). Nos Estados Unidos são mais 10 mil. A China também recebe uma boa porção de pontos de venda da americana, são 2,6 mil unidades.

Cada polegada

A identidade da 7-Eleven sempre foi relacionada a lojas aconchegantes, com tamanhos modestos e fartura. “Temos uma gestão de item por item dos produtos, cada polegada é importante para nós porque nossas lojas são pequenas. Dessa maneira, garantimos que haja uma grande rotatividade e reposição”, explica Del Porto.

E para manter o padrão, existe uma curadoria cuidadosa dos produtos, segundo o VP da empresa. Além de selecionar itens relacionados a cada cultura, a própria 7-Eleven cria produtos voltados para regiões e períodos específicos.

Sobre a capacidade de gerir estoque em uma loja pequena com tanta variedade, Del Porto afirma que é uma “mistura de arte e ciência. É um componente-chave do negócio, com rotatividade alta e ambiente pequeno. Você tem que ter estoque de produtos que saem mais e menos. Você combina informações da rede e com um pouco de arte que se relaciona com a capacidade de o franqueado conhecer a loja”, explica.

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O sistema de controle de fluxo de produtos da 7-Eleven não é uma informação confidencial. Segundo o executivo, as lojas conseguem ver o fluxo de vendas da região onde ele opera. “Os colaboradores das lojas também podem ver o que está vendendo hoje em todas as nossas lojas. Uma coisa pode funcionar melhor em uma loja próxima que outra”, revela.

App

Para otimizar ainda mais os pedidos e a produção dos produtos que enchem suas lojas, a 7-Eleven está testando pedidos sob demanda para que sejam retirados na loja por meio do serviço 7-ElevenNOW, acionado via aplicativo.

Os clientes que não têm tempo para parar em uma loja, podem visitar o aplicativo para fazer o pedido. A entrega é feita pela startup parceira DoorDash em um prazo médio de 45 minutos.

As oportunidades para a 7-Eleven mudam de acordo com o mercado. No México, por exemplo, a ideia não é reduzir o tráfego nas lojas por meio do aplicativo, mas, ao contrário, aumentar as visitas colocando serviços extra nas lojas, como a possibilidade de o consumidor efetuar pagamento de contas dentro da 7-Eleven já que boa parte da população mexicana ainda é desbancarizada.

Sobre a ausência de lojas no Brasil, Del Porto afirma que apesar de ser um mercado atraente, algumas questões ainda travam uma evolução. “Precisamos encontrar o parceiro certo, que entenda o mercado”, aponta.