PinCash quer substituir o boleto por pagamento eletrônico no varejo brasileiro

Aplicativo transforma compra em dinheiro em transação por meio eletrônico. Rede já conta com 330 mil estabelecimentos credenciados

Tecnologia quer reduzir o uso de boletos para pagamentos no País/ Crédito: Shutterstock

Atrair para o comércio eletrônico a população do País que ainda não possui nenhum tipo de vínculo bancário é um dos principais desafios do varejo nacional. Hoje, dados do Banco Central apontam que 40% dos brasileiros economicamente ativos não são bancarizados. Para esta parcela de consumidores, o boleto bancário é a única forma de pagamento de uma compra ou serviço contratado. Essa limitação coloca à margem um elevado potencial de consumo nos canais on-line.

Entre as ferramentas criadas para enfrentar esse cenário está a PinCash, um modelo de rede de pagamentos que busca atrair esse consumidor para o e-commerce e às vendas diretas. “Nossa meta é atrair essa população que depende exclusivamente do boleto. E não estamos falando de pobreza, mas de um potencial de consumo próximo de R$ 700 bilhões”, explica Greg Deschamps, CEO e cofundador da PinCash.

O executivo ressalta que o brasileiro desbancarizado é, em sua maioria, o mesmo que utiliza celulares pré-pagos, ou seja, nem mesmo os serviços mais essenciais são pagos em bancos. “Ele depende do boleto para tudo. Automaticamente, ele precisa sempre buscar um local para imprimir essa conta. Isso gera perdas para o consumidor, que perde tempo, e para o lojista, que precisa aguardar um prazo maior de compensação daquele pedido. Uma compra realizada na sexta-feira pode entrar na conta só na quarta-feira seguinte.”

Segundo Deschamps, o PinCash está entre os dois modelos. De um lado, ele permite o pagamento em dinheiro, não afastando o consumidor que não tem um cartão e conta bancária. Do outro, ocorre a confirmação da compra em tempo real. O pagamento é transformado em eletrônico, o que dá mais segurança para o lojista. “Hoje, dados do Banco Central mostram que 61% dos brasileiros recebem em dinheiro. Ou seja, estamos longe de acabar com a presença do papel moeda no varejo. Assim, não podemos deixar esse público fora do comércio eletrônico.”

E como funcionará o PinCash? Deschamps explica que o consumidor, ao realizar a compra em uma loja virtual, fará a opção pelo chekout em dinheiro. Quando concluir a operação, ele receberá um código pin com 11 números. Ele irá até um dos credenciados à empresa e informará esse código e fará o pagamento. A operação será realizada em maquininhas que também realizam recargas de telefone celular e bilhetes de transporte. “A compra será confirmada por meio do código. O varejista terá, eletronicamente, a confirmação do crédito, e o consumidor receberá o comprovante por celular. O tempo de captura dos dados é o mesmo do cartão”.

Hoje, a PinCash informa ter 330 mil estabelecimentos credenciados. Com relação aos lojistas, a empresa já iniciou um trabalho de fechamento de contratos. Greg Deschamps acredita que a ferramenta estará com ampla aceitação a partir do primeiro trimestre de 2019. A meta é ter um modelo consolidado na próxima Black Friday.

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