6 soluções do varejo que se aproximam da série “Black Mirror”

Séria distópica da Netflix faz sucesso ao criticar a relação da humanidade com a tecnologia. Alguns projetos de varejistas lembram episódios da trama

Projeto de lentes inteligentes patenteado pela Samsung / Crédito: Divulgação

A série “Black Mirror” faz sucesso pelas críticas sociais. Os episódios falam principalmente sobre a relação dos homens com a tecnologia. A série é produzida por vários diretores e roteiristas, que se revezam entre as temporadas. Todos os episódios são impactantes, já que as distopias trazem uma semelhança assustadora com a realidade.

“Arkengel”: episódio mostra a história de uma mãe que implanta um dispositivo na filha. Chip mostra sua localização, o que ela vê e a protege de visões perturbadoras

A expressão “isso é muito Black Mirror” se tornou frequente para descrever algo real que se relaciona com algum episódio da distopia. Encontramos alguns exemplos de projetos “muito Black Mirror” no varejo, veja:

Abelhas robôs

O Walmart entrou com um pedido de patente para registrar a tecnologia de robôs autônomos em forma de abelhas. A rede varejista registrou o pedido no início de março, descrevendo as máquinas como “drones polinizadores”.

A ideia é que os robôs carreguem pólen de uma planta para outra, guiados por sensores. As abelhas robóticas vão identificar se uma flor já foi polinizada, de modo a evitar aplicar pólen nela novamente e aumentar a produtividade.

“Os polinizadores são muitos importantes para a manutenção tanto de plantações silvestres como as da agricultura. Nos últimos anos, a quantidade de polinizadores (como formigas, abelhas, besouros, borboletas e vespas) tem entrado em declínio, o que leva à redução e fertilidade e biodiversidade do cultivo e redução a produtividade”, informou o Walmart em um documento.

No sexto episódio da sexta temporada de Black Mirror, drones em forma de abelha são criados para suprir a necessidade de polinizadores.

Cena do episódio “Hated in the Nation”

Microchip

O dispositivo polêmico é instalado na mão dos consumidores e funcionários de algumas empresas. A tecnologia não é coisa do futuro. Segundo um relatório de maio de 2018 da agência de notícia francesa AFP, na Suécia, cerca de 3 mil pessoas já estão utilizando o dispositivo. O chip é equipado da tecnologia RFID (radiofrequência), usada, entre outras coisas, em etiquetas antifurtos que são comuns em lojas de roupas e se conectam com os sensores de totens colocados nas portas.

O chip RFID tem o tamanho de um grão de arroz e é utilizado para finalidades que vão desde abertura de portas sem a necessidade de chave até forma de pagamento no checkout de uma loja.

O primeiro experimento na Suécia foi em 2015, quando a empresa Epicenter, de co-working, decidiu instalar os chips de baixo da pele da mão de seus funcionários para que tivessem acesso ao prédio.

A SJ, maior companhia de trens da Suécia, aceita pagamento via microchip. No país, apenas 1% do valor de todas as transações são feitas com dinheiro.

Assistentes virtuais

A tecnologia já é bastante conhecida. Assistentes virtuais como Siri, Cortana e Alexa aparecem com frequência nos noticiários. Esta última, da Amazon, é famosa por ser pivô de polêmicas.

Em uma delas, um casal norte-americano usava o Amazon Echo – um dos hardwares que abrigam a Alexa e se conecta com mais de 15 mil aplicativos. O aparelho gravou a conversa de Danielle (que não quis revelar seu sobrenome à TV norte-americana) e seu marido. Depois, o equipamento enviou o conteúdo para um de seus contatos – um dos funcionários do marido de Danniele.

A Amazon disse que tudo não passou de um mal entendido, que, na verdade, o casal deu uma série de comandos ao hardware sem perceber. A versão da empresa gerou grande desconfiança nos internautas, como neste usuário do Twitter, que mostrou que a Alexa é difícil de ser “acordada”, a não ser dizendo “Alexa”.

O caso aconteceu em maio. Mais cedo, em março, a Alexa já havia assustado alguns norte-americanos. A assistente virtual dava uma risada repentina, mesmo quando não era acionada.

Reconhecimento facial

A rede de supermercados Hema Xiansheng, da gigante varejista Alibaba, já conta com 46 lojas na China. Além da entrega gratuita em até 30 minutos, o grande destaque das lojas é o pagamento por reconhecimento facial. As vendas estão vinculadas ao AliPay, plataforma de pagamentos do Alibaba. Por isso, no checkout basta que os clientes digitalizem seus rostos para confirmarem suas compras.

O reconhecimento facial, porém, não é usado apenas no varejo. Vários setores da sociedade já utilizam a tecnologia. Na Índia, um aplicativo ajuda a resolver um problema comum: crianças que se perdem dos pais. No país, cerca de cinco mil crianças são dadas como desaparecidas. O app ajudou a reconhecer 3 mil crianças em apenas quatro dias.

Na China, o uso dessa tecnologia para monitoramento dos cidadãos já é comum. Os sistemas de monitoramento já contam com mais de 200 milhões de câmeras. Algumas províncias adotam medidas como “painéis da vergonha” para as pessoas endividadas ou que atravessam fora da faixa de pedestres.

A polícia chinesa usa um enorme banco de dados para identificar criminosos ou detectar ameaças. Neste ano, policiais prenderam um homem em meio a 50 mil pessoas usando a detecção facial.

A tecnologia de reconhecimento facial levantou uma discussão quase interminável sobre a privacidade de dados. Em 2016, a universidade norte-americana de Georgetown publicou um estudo que revelou que metade da população adulta dos Estados Unidos tem seu rosto cadastrado em sistemas que a detecção facial.

Quando a Apple lançou o iPhone X, que usa o reconhecimento facial para desbloquear o aparelho, Edward Snowden criticou a tecnologia. Conhecido por revelar parte do esquema de vigilância generalizada da NSA (agência de segurança nacional do Estados Unidos), Snowden disse em sua conta no Twitter que a tecnologia certamente será usada abusivamente.

Lentes inteligentes

Este é um projeto antigo. Há dois anos, a Samsung registrou patente de uma lente de contato “smart”, que tem câmera fotográfica e outros comandos ativados por piscadas do usuário.

Projeto patenteado pela Samsung em 2016 / Crédito: Divulgação

A patente emitida mostra que a lente conta com um pequeno display, antena, câmera fotográfica e diversos sensores que captam piscadas e os movimentos do globo ocular. Ela precisará se comunicar com um aparelho externo, como um smartphone, para processar o conteúdo produzido pela lente e exibido para quem a usar. A empresa não divulgou notícias sobre o andamento do projeto.

Amazon Key

Mais uma vez a Amazon aparece na lista. Este serviço abre a porta da casa dos consumidores para os entregadores. Membros do Amazon Prime adquirem o kit Amazon Key in-home, que é composto pela câmera de segurança interna da empresa, o Amazon Cloud Cam, e um bloqueio inteligente. Essas peças são integradas por meio de uma conexão sem fio chamado Zigbee. Além disso, é preciso baixar o app da empresa.

Feitas as configurações, os clientes compram um produto no Prime e selecionam a opção “in-home”. Quando o controlador de entrega chega à casa do cliente, ele digitaliza o código de barras do pacote. Essa informação é enviada para a nuvem da Amazon, que, por sua vez, verifica se o entregador está no local certo e na hora prevista.

Por Leonardo Guimarães e Raphael Coraccini