Supermercado americano começa a automatizar estoque dentro das lojas

Iniciativa da Albertsons é uma das que estão borbulhando no varejo americano, que trabalha para reduzir o tempo de entrega para vendas on e off

Crédito: Shutterstock

A rede de mercearia americana Albertsons está utilizando inteligência artificial para operar o seu estoque com um nível inédito de automação. A rede de varejo alimentar aposta no emprego de máquinas para gerenciar o estoque dentro das lojas. A ideia é separar uma área específica dos pontos físicos para vendas on-line com todo o sistema de automação voltado para separar os pedidos.

Nessa área ficarão à disposição os itens mais populares do on-line. Quando um pedido feito pela internet é recebido, o sistema da Albertsons, da Takeoff Technology, utiliza máquinas para separar e transportar os itens até um dos colaboradores da empresa, que vai empacotar os itens. A ideia é reduzir consideravelmente o tempo de atendimento do sistema on-line to off-line (O2O).

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A abordagem “hiper-local” de automação dos estoques que a Albertsons está colocando em prática contrasta com as primeiras tentativas do varejo americano de agilizar a operação do estoque. Em maio deste ano, a supermercadista americana Kroger e a britânica Ocado (especialista em comercialização de comida fresca pela internet) fecharam parceria para otimizar a operação de seus suprimentos.

O acordo foi assinado no dia 30 de outubro e concretiza a compra de parte da Ocado pela Kroger. A parceria prevê a construção de armazéns automatizados que serão divididos pelas duas varejistas.

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Segundo o portal Supermarket News, a supermercadista americana se movimenta por um lado para conter o avanço da Amazon no meio físico e por outro para acompanhar o crescimento do Walmart no on-line. Há um ano, a Amazon começou seu avanço massivo nas lojas físicas por meio da aquisição da Whole Foods e já neste ano o Walmart anunciou seu plano de entregas de alimentos via Uber para mais de 100 áreas metropolitanas dos Estados Unidos.

Super centros automatizados

A Kroger está apostando em grandes centros de distribuição ao invés de pulverizar os estoques pelas lojas, como está fazendo a Albertsons. A ideia é que sejam três estoques automatizados até o final deste ano e 20 dentro dos próximos três anos.

Para a Kroger, recorrer à Ocado foi uma solução relacionada principalmente ao know-how da britânica em vendas de alimentos on-line. Esse nicho ainda é muito pequeno nos Estados Unidos, representando apenas 1 a 2% das vendas de alimentos no País. Porém, na Grã-Bretanha, o mercado já corresponde a 7% do total, segundo a Kantar Worldpanel.

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Embora a maior parte da operação da Ocado seja no on-line, a empresa de alimentação saudável pretende também levar a tecnologia para suas lojas físicas.

Europa no foco

Apesar do peso das americanas Walmart e Amazon no total do share do varejo no mundo, a tecnologia voltada para comercialização de alimentos têm como grande centro de experimento o varejo europeu. O Carrefour é, possivelmente, o grande exemplo disso. Cerca de 10% das vendas de alimentos do grupo na França já são on-line.

Depois de conquistar o consumidor inglês, a Ocado trabalha para se transformar, acima de tudo, em um provedor de tecnologia. A startup fechou seu primeiro grande acordo de licenciamento de tecnologia para outro gigante francês, o Grupo Casino, que no Brasil é dono de duas das maiores redes de varejo, a Via Varejo e o GPA.

Além da gigante francesa, a Ocado fechou parceria de fornecimento de tecnologias com a ICA Gruppen, da Suécia, que atua nos setores supermercadista, moveleiro, farmacêutico, financeiro e imobiliário. Na América do Norte, a Sobeys, do Canadá, que tem mais de 1500 unidades, também fechou contrato com a Ocado recentemente e passará a utilizar a tecnologia da startup britânica.

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