Podemos nos preocupar com outros assuntos

Quando olhamos para a atividade econômica, com foco no varejo, temos sinais saudáveis de expansão

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Na última semana de novembro, um dos mais importantes relatórios do mercado, o relatório Focus, apresentou alterações relevantes em relação ao observado nas semanas anteriores. O destaque ficou por conta da redução das expectativas para a taxa Selic em 2019. Depois de 44 semanas de estabilidade, a mediana das projeções de mercado foi rebaixada, apontando para uma taxa de juros de +7,75% ao final do ano que vem. O mercado também reduziu suas expectativas para a inflação e agora é esperado um IPCA de 3,94% neste ano e de 4,12% em 2019. Já as projeções para o crescimento do PIB em 2018 foram revisadas ligeiramente para cima e agora é esperado um crescimento de 1,39% no ano.

Em resumo, mesmo após os impactos da greve dos caminhoneiros lá em maio deste ano, os investidores esperam uma inflação muito bem comportada, não só em 2018 como também em 2019. Grande parte deste efeito advém de menor pressão cambial após o primeiro turno das eleições, quando o câmbio voltou a ceder e tirar alguma pressão momentânea. Mas lembramos também os impactos positivos da desaceleração dos preços no segmento de Alimentação e Bebidas, e pelas quedas projetadas em Habitação, Vestuário e Transportes. Além disso, lembramos também das quedas recentes nos preços dos combustíveis.

Quando olhamos para a atividade, com foco no varejo, temos sinais saudáveis de expansão. Vamos focar na data mais importante para o varejo no mês de novembro – a Black Friday – marcando a performance das vendas online no Brasil. De acordo com a consultoria Ebit, o faturamento do e-commerce de sexta-feira e quinta-feira de R$2,6 bilhões foi 23% acima do mesmo período no ano passado, acima das expectativas da instituição de crescimento de 15%. A Black Friday (dois dias) representa ~4,5% do faturamento anual do e-commerce, sendo muito importante para as vendas das empresas online. Como referência, os 10 dias que antecedem o Natal representam juntos ~18% do faturamento.

Podemos concluir que temos um cenário de curto prazo para os próximos meses de: (i) inflação controlada, ficando dentro da meta estipulada pelo Banco Central, com possíveis revisões para baixo; (ii) consequente redução das expectativas dos juros futuros, ou seja, não deveremos ter aumento da taxa básica de juros tão cedo e (iii) a atividade econômica vem dando sinais consistentes de recuperação, sobretudo em setores mais ligados a atividade econômica local, como o varejo.

Portanto, o atual futuro governo pode e deve ter outras preocupações, sobretudo em relações a medidas para garantir a sustentabilidade de nosso crescimento econômico de longo prazo, já que inflação comportada e juros historicamente baixos nos permitem a nos preocupar com outros assuntos, por ora.