As melhores receitas para criar um viral na internet. Só que não

Será que existe uma regra ou um guia para pavimentar o caminho de sucesso de um influenciador? Essa e outras perguntas – e respostas – foram debatidas no Web Summit

Ashkan Karbasfrooshan, fundador da WatchMojo.com, Charolotte McKinney, modelo e atriz e Belinda Goldsmith, editora-chefe da Thomson Reuters Foundation debatem sobre a existência – ou não de fórmulas – para assegurar presença digital. Ashkan e Charlotte fazem parte do grupo de influenciadores com milhões de seguidores e bilhões de acessos contam sua trajetória e as lições para tornar sua mensagem relevante para as massas. “From zero to viral” foi o tema dessa conversa esclarecedora sobre como repercutir mensagens maciçamente na internet.

A chave para conseguir engajamento orgânico é, em linhas gerais, entender onde um influenciador é competitivo, em qual conteúdo ele pode ser a autoridade, e depois compreender o que a sua audiência exatamente espera.

Charlotte McKinney estrelou um comercial em 2015, durante o SuperBowl e esse evento foi um marco em sua carreira. “Eu deixei de ser uma modelo que fazia comerciais meio sexy de hambúrgueres para ser vista como atriz séria e hoje tenho mais de 1,4 milhão de fãs no Instagram. Tudo a partir daquele comercial”, contou. O comercial viralizou e projetou a imagem da atriz que se tornou então uma influenciadora de sucesso, com canais no Instagram e no YouTube. E para Ashkan, o YouTube é o lugar ideal para se encontrar e estabelecer conexão de alta qualidade com a audiência. Ele critica ferozmente o Facebook, pela sua característica de somente permitir a interação paga com os fãs, o que o não o torna confiável e prejudica a imagem do artista.

“Quando pensamos em confiabilidade no trabalho dos influenciadores, o YouTube é muito mais amigável. Ele dá aos profissionais maior controle sobre como podem atingir a audiência, sobre como podem expor as mensagens, como podem ser encontrados, e o Facebook não pensa da mesma forma, ele tira a legitimidade do engajamento”, afirmou o fundador da WatchMojo.com.

Charlotte ressalta que é importante manter a canal vivo, ativo, para que negócios realmente aconteçam. “É possível perder oportunidades pelo simples fato de não termos fãs suficientes com o perfil desejado. Por isso, precisamos buscar sempre esse contato com a audiência. Por outro lado, só promovo marcas que tenham afinidade com meus valores”, destaca a atriz.

Ashkan diz que o objetivo de um influenciador não é se tornar uma mídia convencional. Sua preocupação deve ser apenas com sua pauta e sua audiência.

“Podemos entender que há uma psicologia para lidar com as pessoas e com influenciadores. É necessário ter paciência para lidar com ansiedades, expectativas para que um canal e um projeto possam se desenvolver”, defende Ashkan. Por outro lado, Charlotte enfatiza que é necessário buscar sempre o engajamento e a interação com os fãs, não se deve renegar quem o acompanha, a conversa precisa estar sempre em dia. Caso contrário, o influenciador comete um erro irreparável.

Qualidade ou quantidade? O que importa mais para o conteúdo? Ashkan acredita que é necessário utilizar horas e horas para criar um vídeo curto, que possa competir pela atenção das pessoas. “É isso que importa no final do dia. Conquistar a atenção dos fãs, o que coloca a qualidade em primeiro plano, mas frequência também é importante. Para um influenciador, a expectativa não é fazer Game of Thrones, mas oferecer um conteúdo relevante”.

Não se torna um influenciador apenas para ganhar dinheiro. Manter a própria autenticidade é requisito para ir do zero ao bilhão de views. Se o influenciador colocar a busca pelo dinheiro acima de tudo, perderá a legitimidade, concluem Ashkan e Charlotte.