Bombay: a loja que oferece mais de 500 especiarias

Rede surgiu da vontade de um engenheiro químico de compartilhar sua paixão por temperos e hoje projeta um faturamento de R$ 25 milhões para o ano

Crédito: Douglas Luccena

Na loja de especiarias criada por Nelo Linguanotto não é o tamanho nem a decoração o que mais chamam a atenção dos clientes. Na matriz da Bombay, o que mais encanta quem entra é a diversidade: são mais de 500 produtos. “Ninguém tem uma variedade tão grande”, garante Linguanotto.

A marca aproveitou o boom dos programas de culinária para atrair profissionais e amadores. O espaço foi pensado para que as pessoas interessadas em especiarias pudessem não apenas encontrar bons e variados produtos, mas também tirar dúvidas, receber dicas de receitas e conhecer novos temperos – o portfólio vai dos tradicionais orégano e canela ao quase desconhecido Kaffir Lime, um tempero da Indonésia muito utilizado na culinária tailandesa.

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Uma das especiarias mais populares na Bombay são as pimentas. São 50 tipos, entre eles o mais ardido do mundo, segundo o Guinness World Records, batizado de Carolina Reaper. A marca oferece as pimentas de acordo com o nível de ardência, que varia de 1 a 44. Além de todos – ou quase todos – os tipos de tempero que os consumidores possam imaginar, a Bombay também vende utensílios: de odorizadores de ambiente a suportes para temperos, além de livros sobre especiarias.

Livro de temperos

E foi um desses livros o que levou à fundação da Bombay. No fim de 2002, Linguanotto lançou sua primeira publicação – o Dicionário Gastronômico de Ervas & Especiarias –, que motivou leitores a buscar pelas ervas descritas na obra. E foi assim que a Bombay surgiu em julho do ano seguinte.

Temperos vêm de família para o engenheiro químico. Seu pai fundou a primeira empresa de temperos do Brasil, da qual Nelo foi sócio até vender a companhia para uma gigante americana. Depois, o empresário trabalhou fora do País e conheceu vários outros lugares e temperos diferentes.

Linguanotto se esforça para que os consumidores tenham contato com produtos de qualidade. Ele viaja pelo mundo para visitar feiras e procurar novos fornecedores. Entre os destinos estão Marrocos, Índia e França. E, para dar conta de qualidade e de diversidade, a Bombay lida com mais de 150 fornecedores, tendo uma equipe de apenas 45 funcionários. “É complicado, mas é uma coisa que eu gosto de fazer”. O fundador da Bombay visita os produtores e se preocupa com a qualidade das especiarias que entram na fábrica, em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo.

Temperado com amor

A relação do empresário com a loja vai além do sucesso da Bombay. Uma de suas bandeiras é ter todas as empresas do segmento oferecendo ervas e especiarias de qualidade, mesmo que isso signifique preço maior.  “Alguns temperos vendidos por um preço menor não são puros. Se entra um concorrente com uma qualidade boa, isso é bom para todo mundo”, avalia. Como parte do esforço para que o segmento cresça, Linguanotto integra uma rede de empresários que trocam e difundem informações sobre o mercado de especiarias.

O fundador da Bombay vê o trabalho de administrar a empresa como um prazer, assim como o da gastronomia: “Se eu não ganhasse dinheiro eu continuaria. É uma coisa que eu faço com gosto”. E, trabalhando com gosto, o empresário espalhou a marca por todo o País. Além de duas lojas próprias, são oito franquias e outras representações em cada uma das capitais brasileiras.

O investimento nos pontos físicos tem dado certo, com projeção de R$ 25 milhões de faturamento para este ano. O e-commerce representa menos de 10% desse total. Linguanotto avalia que a experiência nas lojas física oferece o que é mais importante de acordo com sua especialidade, os temperos: “as pessoas querem pegar, olhar e cheirar nossos produtos”.