BASF lança produto de olho na lei que mostra origem de alimentos

Até 2020, todos os legumes, verduras e frutas deverão ter um mecanismo de rastreamento de origem, transporte e confinamento até o consumidor final. Entenda

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Em agosto deste ano, passou a valer uma instrução normativa que exige a inclusão de informações sobre a origem, distribuição e estocagem de verduras, frutas e legumes – a chamada rastreabilidade de alimento. A lei, no entanto, não tem uma eficácia imediata para todos os produtos. Na verdade, esse é um processo gradual e que será concluído em fevereiro de 2020.

Um dos setores afetados é justamente o varejo, que também deverá incluir algumas informações nesse rastreamento. Uma delas é o confinamento do produto.

Pensando nisso, a BASF apresentou um produto dentro de um conceito de produção e distribuição alinhado com a instrução normativa número 2, de 2018 – e que já até mesmo um produto escolhido para difundir essa ideia para outros alimentos no futuro. Trata-se do modelo de sistema produtivo chamado Pingo Doce, em um evento organizado pela Nunhems (empresa adquirida recentemente pela BASF e especializada em agricultura digital, biotecnologia e proteção de cultivos).

Leonardo Herzog, da Nunhems

De acordo com Leonardo Herzog, gerente de contas da Nunhems, a ideia é oferecer um produto de qualidade superior para o consumidor final – uma vez que ele é o ponto de partida para o sistema. Para garantir isso, um dos pilares é justamente a rastreabilidade, ou seja, a identificação de todas as informações realmente relevantes para o consumidor final ou mesmo para toda a cadeia produtiva sobre a melancia.

“Queremos introduzir um conceito novo no País. A ideia é levar a informação sobre o produto do produtor até quem comercializa o produto para o consumidor final. Isso confere credibilidade para o cliente”, disse Herzog.

Qualidade superior

 

As informações conferem maior credibilidade e transparência sobre o produto – o que, naturalmente, confere um produto com uma qualidade superior.

Nesse sentido, a escolha da melancia não ocorreu por acaso. A empresa decidiu inserir um produto novo no mercado, que necessariamente depende do apoio incondicional de todos os “players” envolvidos na cadeia de produção. Trata-se de uma melancia com uma quantidade pequena, quase inexistente, de sementes (conceito de seedless). Além disso, o alimento é menor, o que facilita o consumidor na hora de comprar o produto na feira ou no supermercado. Estima-se que uma melancia convencional tenha até quinze quilos, enquanto que o produto inserido no conceito de Pingo Doce tem até sete quilos e, ao mesmo tempo, um brix (açúcar) superior a melancia mais tradicional.

Além disso, segundo Herzog, o próprio produto auxilia na cadeia de produção. O fato de o produto ser menor ajuda não apenas o consumidor, mas auxilia o varejista na hora de descarregar o produto. “Descarregar um caminhão inteiro pode demorar 3 horas enquanto que um produto menor pode ser feito em 20 minutos. Isso é um custo que diminui para o varejo”, diz.

A empresa também afirma que o produtor também foi levado em conta dentro desse conceito do  Pingo Doce. Ele teria maior shelf life, ou seja, durabilidade acima do produto convencional. “Após a colheita, ela dura mais ou menos 20 dias. Um tempo superior na comparação com a melancia convencional”, informa.

Outros alimentos

 

A ideia do Nunhems é que o conceito ganhe asas e ganhe o consumidor final e toda a cadeia de produção. Se der certo, há possibilidade desse modelo ser replicado em outros alimentos. “Depois desse caso, queremos levar para outras culturas, outras frutas. Eu quero levar um produto de qualidade para a minha família. Eu quero isso para todas as famílias e isso será possível por meio do rastreamento”, afirma Herzog.

Segundo Herzog, um olhar apurado sobre a cadeia de alimentos exibe alguns gargalos de produção, eficiência e informação para o consumidor final que poderiam ser preenchidos pelo sistema Pingo Doce. O tomate é um exemplo. “O preço do tomate tem uma flutuação de preço muito alto. Vimos o impacto da alta de preço no passado recente. Se implantarmos uma nova cultura de manejo do alimento, que usa tecnologia de ponta, temos um produto mais eficiente e menos sujeito a essas variações. É possível replicar para o tomate e outras culturas”, conclui.