“Não queremos pessoas medianas”, diz diretora da Universidade de Negócios Criativos sobre como aprender a inovar

Responsável pela cadeira de Mudanças Radicais na instituição holandesa, Nathalie Brahler também ressaltou que s sociedade hoje ‘vive em modo beta constante’

Nathalie Brahler, durante palestra no Whow! Festival de Inovação. Crédito: Rafael Canuto

Um dos maiores desafios da academia tem sido preparar hoje os profissionais do futuro em um cenário em mudança constante e acelerada, em um mercado de trabalho volátil, com funções e atividades desaparecendo e surgindo em um intervalo de tempo tão curto como quatro ou cinco anos. O mesmo desafio é enfrentando pelas empresas, que se encontram tentando ensinar seus executivos a ter um pensamento com foco em inovação.

A jornada sobre como ensinar e aprender a inovar foi a base da palestra de Nathalie Brahler, durante o Festival Whow! de Inovação, que acontece até quinta-feira (26) em São Paulo. Como diretora de Mudanças Radicais na Universidade de Negócios Criativos, que fica em Utrech, na Holanda,  Nathalie já indica em sua nomenclatura de cargo o tamanho do desafio neste momento que estamos atravessando na história , em que paradigmas estão sendo quebrados e sem caminho de volta. “Hoje há uma perda de prestígio acadêmico e o crescimento do marketing orientado por dados e inteligência artificial, por exemplo, então estamos, muitas vezes, ainda preparando os estudantes para o passado, quando temos que entregá-los preparados para o mercado daqui quatro anos”, disse.

O primeiro passo na análise da situação para adotar mudanças inovadoras está em identificar o que está funcionando do que não está. “O que não está errado, não há o que consertar”. Depois, identificar o que aquilo que está errado está causando dentro da empresa, que cria um efeito em cadeia que pode levar à sua ‘extinção’ e, tão importante quanto, de onde vem o problema que levou àquela situação.

Nathalie elencou algumas ideias e ações que as empresas devem esquecer se quiserem inovar, como o pensamento centralizado, a timidez tecnológica, se fixar em uma única ideia – “estamos em modo beta eterno” – e focar apenas no ocidente: “precisamos olhar mais para Oriente Médio, China, Índia, Rússia”, disse, relatando que a própria universidade se esforçou para atrair mais estudantes de fora de países europeus e dos Estados Unidos.

Como as quebras de paradigmas nunca são fáceis, além de alguém focado em mudanças radicais, como ela, Nathalie orienta que a empresa destaque uma pessoa ‘local’, como ela define, que será uma espécie de guia interno para conduzir essa mudança, aquela pessoa que atua há um tempo na empresa (uns 10 anos), que conheça o passado da empresa e sua política.

Uma parte importante de se ensinar a inovar é trazer os pioneiros históricos para falar, que costumam ser não só mentes pioneiras, mas entusiastas da tecnologia, criativos, estão atuando no mercado. “Ter essas pessoas é muito importante, pois eles têm ideia do cenário”. E complementou: “não queremos pessoas medianas”. Segundo Nathalie, são perfis que custam muita energia para arrastá-los até o ponto que se deseja.  E, mais valioso que tudo, focar no humano. “Trabalhe com máquinas e robôs, mas com o pensamento centrado no humano”.

Confira aqui a cobertura completa do Whow! Festival de Inovação