Quais os desafios da precificação no varejo e como resolvê-los?

O panorama do Brasil pós-greve dos caminhoneiros trouxe novamente aos holofotes a básica questão da precificação. Saiba quais são os desafios para o varejo

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Tudo parecia relativamente tranquilo no início de 2018 até meados de maio passado. Depois de um ano em que uma – nova – crise política se impôs sobre a recuperação econômica e, por pouco, não resultou em uma nova mudança na Presidência da República, o Brasil parecia voltar aos poucos a um cenário de estabilidade na economia. Tudo mudou, porém, com um súbito movimento de caminhoneiros que paralisou o País por mais de dez dias.

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Revoltada com os sucessivos aumentos do diesel e dos fretes, a categoria conseguiu jogar o governo Temer contra a parede, fazendo-o revisar a política de mercado adotada recentemente pela Petrobrás, responsável por ajudar a recuperar a estatal da crise em que ela se encontrava. Embora pareça que a situação está resolvida, o contribuinte pode esperar para pagar em breve, de alguma forma, as “bondades” concedidas aos caminhoneiros. Além disso, muitos dos setores impactados pela greve também terão de revisar seus preços, com maior ou menor percepção pelo consumidor final.

Pouco tempo depois do fim da paralisação, um novo cenário se impôs ao Brasil, desta vez vindo de fora. Sob impacto da recuperação da economia norte-americana e de pesquisas eleitorais que apontavam um segundo turno entre presidenciáveis considerados populistas, o dólar disparou descontroladamente, fechando em R$ 3,84 no último dia 06 de junho. Assim como na greve dos caminhoneiros, a alta do dólar representou um desafio na hora de determinar os preços para o consumidor final, a chamada precificação.

Dentro do que foi apontado até aqui e tendo em vista a instabilidade – política e econômica – que deve se aprofundar até a realização das eleições presidenciais deste ano, o grande desafio para os empresários e empreendedores é lidar com uma competitividade cada vez mais acirrada. Nesse cenário, sobreviverão aquelas empresas que possuírem melhor gestão, conseguindo dominar não somente as vendas, mas também as margens de lucro, capital de giro e faturamento.

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O empreendedor que quiser sobreviver, e se sobrepor, a esse período turbulento terá de investir em capacidade de gestão e controle de indicadores de crescimento. A avaliação certeira dos cenários de curto e médio prazos para precificação também será um diferencial. Saber se o cliente estará disposto a pagar por um produto mais caro, se a concorrência também irá apostar na alta de preços, se há risco de diminuição de vendas com essa alta e se a empresa teria condições de lidar com os custos se a alta fosse adiada são questionamentos fundamentais.

Enfim, será um ano de muita competitividade, mas uma competitividade para quem estiver preparado e disposto a fazer o que precisa ser feito.

*Marcelo Roque é especialista em formação de preços e resultados financeiros e CEO da Preço Certo

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