Nem tudo é um ‘mar de rosas’ entre Amazon e Whole Foods

Um vazamento do áudio de uma reunião da Whole Foods mostra as divergências entre a gestão de ambas as empresas, segundo o CEO da mercearia

Amazon Go, em Seattle, nos EUA. Crédito: Reprodução/Facebook

O casamento entre Amazon e Whole Foods que rendeu na implementação da Amazon Go, um dos modelos de loja física mais disruptivos do mercado atual, também têm divergências de gestão como sugere uma operação de fusão entre empresas.

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Desde o anúncio da aquisição da Amazon do supermercado focado em alimentos saudáveis, frescos e orgânicos, por US$ 13,7 bilhões, há cerca de um ano, o nome da varejista chefiada por Jeff Bezos é associada a ganhos de reputação por causa do sucesso da Amazon Go e, também, por baixar os preços da Whole Foods e tornar competitiva a operação da grande mercearia.

No entanto, apesar de admitir que houve aumento acima do previsto nas vendas, o CEO da Whole Foods, John Mackey,  revelou, em áudio de uma reunião obtido pelo portal Business Insider, que nem tudo é um “mar de rosas” entre as empresas parceiras.  “Tem sido um ano incrível”, disse Mackey durante a reunião. “Nosso aumento nas vendas foi muito maior do que eu previa”, complementou.

Mas, segundo ele, o relacionamento com a Amazon também vem acompanhado de muitos desafios. “A Amazon provavelmente teve mais discordância comigo do que qualquer outra pessoa e possivelmente mais do que todos os outros juntos”, afirmou Mackey.

O teor das divergências entre a Amazon e a Whole Food, durante esse um ano de parceria, não foi divulgado. Mas fica claro que a visão de uma gestão ampla e de multisserviços da Amazon embate com a de Mackey, empresário focado em um empreendedorismo de engajamento, em torno do vegetarianismo, e que agora vem ganhando mais escala e conhecimento global com o “dedo” da Amazon.

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A dinâmica do casamento

Em resposta à pergunta de um funcionário sobre o que poderia mudar na cultura da Whole Foods com o controle da Amazon, Mackey disse que os princípios e valores de sua empresa permaneceriam os mesmos, mas “podemos nos renovar em algumas coisas”. “Essa é a coisa que as pessoas mais temem. Elas amam a Whole Foods, então elas não querem que ela mude. Mas em uma fusão, como em um bom casamento, ambas as partes vão mudar com o tempo” disse ele.

“Estou satisfeito com o que estamos fazendo”, disse Mackey durante a reunião. O CEO da Whole Foods pondera sobre as divergências e diz que, no final, o relacionamento com a Amazon acontece de forma clara e transparente, apesar dos pesares. “Isso significa que eu amo absolutamente tudo sobre a Amazon? Não, eu não amo. Absolutamente não amo, assim como ocorre, por exemplo, com minha esposa, mas no geral eu amo 98%”, afirmou.

Estratégias

Mackey disse que os maiores propulsores do crescimento de vendas com base em mesmas-lojas da Whole Foods foram a entrega gratuita de produtos através do Amazon Prime Now, serviço de entregas rápidas (agora disponível em cerca de metade das lojas Whole Foods), e os novos descontos para os membros Prime, que chegam a 10% em toda a compra, caso o cliente assine o plano da Amazon de US$ 12,99 mensais ou US$ 120 anuais.

A empresa também tem trabalhado com a Amazon para melhorar as margens de lucro, minimizando a a ruptura de estoque e alavancando sua escala para obter preços mais baixos dos fornecedores, disseram outros executivos da Whole Foods durante a reunião.

“O Prime é nossa maior iniciativa e reduz nossos preços”, disse Mackey. O foco da Whole Foods, segundo o CEO, é conseguir produtos para nossos clientes a preços mais baixos, embora não haja, de acordo com o executivo, uma diminuição dos padrões de qualidade e serviços da empresa.

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