Empreendedoras apostam em calcinha que substitui absorvente

A americana Emily Ewel e a brasileira Maria Eduarda Camargo são donas da Pantys, varejista de roupas íntimas femininas adaptadas para o ciclo menstrual

A americana Emily Ewel é uma das sócias da Pantys, especializada em calcinhas absorventes (crédito: Douglas Luccena)

Falar de menstruação pode ser desconfortável. O assunto não é muito discutido fora dos consultórios e das farmácias. Ir até uma loja para falar sobre o seu fluxo ou sobre o ciclo menstrual de outra pessoa pode parecer estranho, mas para quem conhece a Pantys isso fica cada vez mais longe de ser um tabu.

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A marca aposta em um novo jeito de encarar esse período e vende calcinhas feitas para substituir os absorventes comuns. A ideia é que as clientes fiquem despreocupadas durante o ciclo menstrual e encarem os dias de fluxo como normais. À primeira visita, todos (homens também vão à loja) estranham e se perguntam como o produto funciona.

A Pantys é a primeira empresa a fabricar e a vender esse tipo de roupa íntima no Brasil. Hoje, o grande desafio das sócias que fundaram o negócio, a engenheira química americana Emily Ewel e a brasileira Maria Eduarda Camargo, é responder a perguntas. Muitas perguntas: como funciona? Vaza? Como faz a higienização do produto? Em quanto tempo ele deve ser descartado?

Diante de tantas dúvidas, antes de vender o produto, elas precisam vender toda a categoria. Afinal, é tudo muito novo para as consumidoras brasileiras.

Como a Pantys aconteceu

Emily Ewel fez um projeto de lingeries com um investidor americano. Enquanto desenvolvia as peças, ela percebeu a força das calcinhas absorventes no Estados Unidos. Emily viu uma oportunidade de trazer o conceito para o Brasil e conversou com a sua amiga e hoje sócia Maria Eduarda Camargo, que gostou da ideia, mas logo tratou de apresentar a realidade brasileira a Emily.

Maria Eduarda mostrou que as preferências das brasileiras são bem diferentes do padrão americano. No Brasil, cerca de 86% das mulheres usam o absorvente externo, enquanto a preferência nos Estados Unidos é o absorvente interno, usado por 70% da população feminina.

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Depois de mais de um ano de pesquisas, elas finalmente abriram uma loja virtual em agosto do ano passado. A oportunidade que Emily havia identificado se concretizou – todo o estoque foi vendido em menos de um mês. O motivo é nobre, mas já nas primeiras semanas elas enfrentaram a primeira grande dificuldade: aumentar a capacidade de produção.

Ao menos 18 componentes são necessários para a fabricação das calcinhas e dos sutiãs. Apesar de terceirizar a mão de obra, a Pantys é responsável por todo o controle de qualidade. A empresa verifica os materiais que serão usados na produção e é rigorosa ao checar a finalização dos produtos. Para Emily, esta é uma operação essencial: “tem de ter (controle de qualidade), porque nós temos um produto funcional; não é só uma calcinha bonita. Somos uma marca de saúde disfarçada de lingeries”, afirma.

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