Cielo quer ampliar domínio sobre dados com nova maquininha

A Cielo controla dados de quase R$ 1 trilhão em compras. Com novos serviços de pagamento e inteligência, pretende ampliar alcance para dentro do estoque e na gestão dos varejistas

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A Cielo, que pertence ao Banco do Brasil e ao Bradesco, controla, no Brasil, dados de consumo correspondentes a 10% do PIB nacional, que em 2017 foi de R$ 6,6 trilhões. A nova versão das maquininhas de pagamento da Cielo, a LIO, ainda não decolou no país porque, assim como os lançamentos das concorrentes, não conseguiu gerar valor suficiente.

A LIO tem 90 aplicativos cadastrados e espaço para inclusão de outros apps para os lojistas. As novas funções das maquininhas de pagamento abrangem muito mais que a conclusão da compra. Permitem controle de estoque, funcionam como um catálogo de produtos, registram operações com fornecedores, além de outras funções de gestão.

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Essas novas capacidades dos terminais de pagamento representam, para as empresas do setor, possibilidade de aumentar a gama de dados sobre o varejo e oferecer ao setor serviços de inteligência de negócio.

A LIO representa apenas 50 mil aparelhos num universo de 1,1 milhão de maquininhas que a Cielo tem distribuídas pelo País. Daniel Caffaro, vice-presidente de Produtos da Cielo, aponta que a empresa está, ainda, tentando entender a curva de aceitação desses novos terminais no varejo.

Para além das transações 

As novas capacidades da LIO permitem a Cielo ampliar sua base de dados em relação ao varejo e, segundo o executivo da empresa, é uma nova oportunidade de conhecer melhor o setor. “Sem dúvida, passamos a ter mais informações principalmente sobre SKU’s. Hoje, a grande massa de dados ainda está nos terminais tradicionais”, explica Caffaro.

Por que o varejo ainda não adotou o NFC na rotina de pagamentos?

Empresas de meios de pagamento capturam, há anos, informações a respeito das transações finais (tíquete médio, número de vendas e faturamento, por exemplo). As novas tecnologias permitem, agora, que elas tenham à disposição números relacionados ao estoque e operações internas dos varejistas. Para que essas informações ganhem escala, novos terminais, como a LIO, precisam, antes, cair no gosto dos varejistas.

A disseminação desse tipo de tecnologia e novos terminais de atendimento pode ampliar o domínio das empresas de meios de pagamento sobre os dados do varejo. A contrapartida prometida é uma eficiência maior no controle de toda a operação. Resta saber se o varejo estará disposto a fazer essa troca. Por enquanto, a adesão é baixa.

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