‘O varejo vai continuar perdendo’, diz economista sobre impacto da greve

Especialista da FecomércioSP indica que crise no abastecimento ainda deve perdurar e que o varejo demorará para voltar a sentir normalidade

cred: Douglas Luccena / Grupo Padrão

No ápice da paralisação nacional dos caminhoneiros o varejo paulista chegou a registrar prejuízo diário de impressionantes R$ 1,8 bilhão de reais e R$ 570 milhões só na capital. O complexo processo da política de preços da Petrobrás, que segue a volatilidade e as pressões do mercado internacional de valores dos combustíveis, foi o estopim de várias reivindicações já antigas dos caminhoneiros, que cruzaram os braços e acabaram causando danos na logística e, consequentemente, ao varejo, em um mês que tinha tudo para ser um dos melhores do ano por causa do Dia das Mães. De acordo com o economista da FecomércioSP, Guilherme Dietze, o varejo sofreu e ainda vai enfrentar grandes dificuldades até a normalização da grave situação que o Brasil se encontra.

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“Ainda há uma crise de abastecimento de comida, remédios. E, mesmo que haja uma negociação, demora dias para voltar ao normal. Não é somente um acordo que vai fazer tudo voltar ao normal. O varejo vai continuar perdendo, mas acredito que ao longo dos dias cada vez em um ritmo menor. Isso até o momento, em três, quatro dias ou uma semana, para voltar à normalidade”, analisa Dietze, que também é sócio da FFA Consultoria e Pesquisa Econômica.

Os dias não devem ser bons para o varejo tão cedo mesmo com uma eventual normalidade na operação logística orquestrada pelos caminhões pelas rodovias do País. Isso porque, nesta quarta-feira, os petroleiros também começaram uma greve, em apoio aos caminhoneiros.

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Situação econômica

Segundo Dietze, a recuperação econômica vinha ocorrendo mas com lentidão. Com a greve, a expectativa de retomada é muito pior, considerando todas as variáveis que a economia brasileira tentava alinhar para o crescimento do País, como inflação, desemprego, confiança do consumidor e do empresariado.

“Isso tudo leva a um ritmo menor de contratação. O que difculta é, numa retomada de crescimento lento você tem uma paralisação então dificulta todo um comércio varejista, indústria, perda diárias de faturamento, até que se reajuste nos próximos meses.

“Já temos problemas em relação a um processo bem lento de retomada da economia. Num ritmo menor de vendas você tem uma paralisação que dificulta o andamento das empresas e isso tende a ter um possível desgaste entre empresa e empregado. Pode haver demissões por causa disso”, afirma o economista da FecomércioSP.

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(Com colaboração de Raphael Coraccini)