Magazine Luiza aposta nas ‘lojas-estoque’ para superar problemas logísticos

O ESPECIAL AMAZON NO BRASIL mostra como o Magazine Luiza aposta em seu número de lojas para superar dificuldades logísticas, típicas do Brasil, algo com o qual a Amazon vai ter que aprender a lidar para operar com eficiência no País

Magazine Luiza/ divulgação

A infraestrutura viária subdesenvolvida é um dos principais problemas para o crescimento mais acelerado do marketplace no País, segundo Cristina Farjallat, diretora de marketplace do Mercado Livre. Para driblar isso, o Mercado Livre oferece o serviço de fulfillment, que armazena e entrega produtos dos vendedores (sellers) direto ao consumidor, algo no qual a Amazon precisaria investir para entrar de vez no varejo nacional.

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Nos Estados Unidos, a empresa já tem cerca de 150 centros de distribuição para encurtar o tempo de entrega aos seus consumidores. A infraestrutura será essencial para a empresa satisfazer sua obsessão em popularizar o serviço de fulfillment com entregas expressas em até duas horas.

Juozas Kaziukenas, especialista americano em varejo, garante que o FBA (Fulfillment by Amazon) é o principal responsável pela redução dos prazos de entrega da empresa. “A companhia permitiu que pequenos varejistas operassem com a mesma eficiência que a própria Amazon”, explica. Para o especialista, o serviço de fulfillment foi o principal responsável por apartar os destinos de Amazon e eBay, que correram lado a lado durante um tempo até que a Amazon disparasse à frente. O eBay perdeu espaço por ter deixado que os sellers cuidassem sozinhos da execução da entrega.

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Para reproduzir esse sucesso aqui, a Amazon teria de ter à disposição uma vasta rede de centros de distribuição ou pontos de retirada. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, ela comprou a rede supermercadista Whole Foods para ter acesso a um número maior de lojas.

Netshoes

No Brasil, quem caminha para seguir um modelo parecido com o fulfillment da Amazon é a Netshoes. A companhia implantou o serviço Netshoes Entregas, em fase de testes, para alguns dos 730 lojistas do marketplace. A empresa fica responsável por todo o processo de entrega do pedido e realiza o fulfillment a partir de três centros de distribuição no Sudeste e no Nordeste.

André Shinohara, da Netshoes, aponta que a expansão da Amazon no Brasil deverá ser algo natural (crédito: Douglas Luccena)

Para André Shinohara, diretor de marketing da Netshoes, a expansão da Amazon no País é “natural” devido ao crescimento e à maturação do mercado on-line, mas aponta que a eficiência na logística e a assertividade na escolha dos produtos representam um diferencial de mercado para a Netshoes. “Temos uma proposta bem-definida em relação aos produtos, com rápido ciclo de reposição, baixo volume e alta margem, além de atuar em nicho, que é esporte, moda e beleza”, enumera.

Shinohara, da Netshoes: “Todo ponto de contato é um ponto de venda” 

Magazine Luiza

No Brasil, a Amazon sofreria para garantir suas entregas de forma rápida, como faz em outros países. Ter uma grande malha de pontos físicos seria uma das soluções. Não à toa, especulou-se a possibilidade de a empresa comprar a Via Varejo (do GPA) para adquirir seus 900 pontos de venda e garantir, ao menos, o mesmo espaço que o Magazine Luiza – um dos maiores players de eletroeletrônicos do País. O marketplace da companhia tem o dobro de produtos que o da Amazon no Brasil.

A companhia tem mais de 800 lojas em 17 Estados que estão servindo como ponto de retirada para as vendas do e-commerce da empresa, atividade que tem impulsionado seus resultados.  O Magazine Luiza tem dez centros de distribuição que abastecem as lojas físicas e o on-line. Ao fim de 2017, seu varejo eletrônico fechou com 32% das vendas totais da rede. O e-commerce teve aumento de 61% em relação a 2016 e 20% do que é vendido no site já é retirado na loja.

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O próximo passo é usar essa ampla infraestrutura de loja física para favorecer o marketplace, que possui 500 sellers e mais de 1 milhão de produtos. A companhia tem reformado algumas de suas lojas para receber produtos de terceiros. Cerca de 30% da área dessas lojas servirão de estoque para as vendas on-line. A ideia é transformar as lojas em pequenos centros de distribuição e popularizar o projeto de retirar produtos na loja em até 48 horas.