CEO da Chilli Beans revela o grande desafio do varejo fast fashion

Caito Maia, fundador da Chilli Beans, se desenvolveu na inovação e continua buscando novos caminhos para quebrar padrões no fast fashion

CEO da Chilli Beans, Caito Maia pretende chegar a faturamento de 1 bilhão em cinco anos. Crédito: Douglas Luccena

Um dos maiores empreendedores e exemplos de mentes inovadoras no contexto empresarial brasileiro, Caito Maia, fundador e CEO da Chili Beans, não é modesto quando perguntado sobre a inserção da moda no mundo das óticas. “Nós criamos a inovação, mostramos que podíamos fazer diferente e sempre que alguém faz isso força o mercado a se mexer e a repensar seus formatos”, diz o empresário.

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Em 1997, ele deixou a carreira musical para criar o que era o embrião da marca, que começou com a revenda de óculos escuros, produzidos na Califórnia, onde morava na época, para trazer a conhecidos no Brasil e vender por um preço maior. Desde então, o negócio tomou proporções inimagináveis para alguém que tinha a música como um caminho mais natural – é formado em música nos Estados Unidos e chegou a integrar a banda “Las Ticas Tienen Fuego”.

Hoje, a Chili Beans fatura cerca de R$ 600 milhões e tem 800 lojas no portfólio, com projeto de expansão para 1100 unidades, nos próximos dois anos, e R$ 1 bilhão em rendimentos, nos próximos cinco. Caito Maia é um dos convidados ao BR Week, o maior congresso de varejo do Brasil, para falar sobre o dilema de vender bens de consumo no contexto da fast fashion.

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“Eu costumo pensar que nós trouxemos o conceito de fast fashion para o mercado das óticas, antes mesmo deste conceito estar em evidência no varejo”, diz o empresário. Inovar nesse mercado e manter a qualidade é o maior desafio do segmento, segundo Caito. Confira abaixo a entrevista do empresário ao portal NOVAREJO:

NV: 1) Qual o real desafio de, simultaneamente, estar no contexto da fast fashion, produzir artigos de moda e vender bens de consumo?

CM: Na verdade eu não diria que a Chilli Beans produz artigos de moda apenas, aliás eu tenho preferido nem usar este termo ultimamente. Há muito tempo deixamos de produzir óculos de sol para desenvolver produtos inovadores que contam histórias, que trazem verdade e que expressam o estilo, com liberdade, a um valor acessível. Inovar e manter a qualidade é o grande desafio deste formato.

2) Como ter um produto que se destaque dos demais quando a demanda é muito grande?

Inovando! Buscando referências reais em lugares onde ninguém bebe. A moda, apesar de estar mudando isso, ainda é muito baseada em tendências e cores da estação, claro que a gente pesquisa o inconsciente coletivo e olha para os desejos atuais dos consumidores, mas buscamos referências que sejam muito maiores do que a tendência da estação, buscamos verdades através de referências e histórias que reforcem quem somos.

3) Você acredita que de modo geral há muita cópia de peças, vestuários e até de óculos no mundo da moda?

Infelizmente a pirataria é uma verdade no mercado, é algo muito difícil de controlar também. De fato, o desejo gera a cópia, quando você desenvolve algo especial, desejado pelos consumidores, outros enxergam oportunidade de mercado com isso e tentam replicar, o grande diferencial é a qualidade e também a consciência do consumidor, que ainda é pequena com relação a isso.

4) Perdeu-se a inovação no mercado fashion de forma geral?

Acho que existe um esforço do mercado para recuperar essa veia inovadora, e ainda há muitas oportunidades de inovar. Durante algum tempo o mercado de moda esteve totalmente acomodado em um formato, mas agora dá-se conta que isso não funciona mais, o próprio consumidor exige o novo, novas mensagens, novos produtos, novas formas de fazer e de comunicar, é nosso dever estar atento a isso, e disponível a mudar e evoluir sempre.

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