Para atender frenesi de consumo, China coloca pontos de retirada por toda parte

China tem apostado na criação de pontos de retirada para atender o crescimento exponencial do comércio eletrônico, que quase dobra a cada dois anos

Crédito: Shutterstock

O varejo digital chinês cresce 30% ao ano. Um único dia de evento do Alibaba, o Doble Eleven, somou 25,8 bilhões de dólares de faturamento em 2017. Os quatro dias de maior movimento do e-commerce americano somam faturamento de 16 bilhões de dólares, dois terços do que fatura o Doble Eleven, comemorado em 11 de novembro.

O e-commerce chinês corresponde a 42% do e-commerce global e para dar conta desse movimento foi preciso criar um sistema de pontos de coleta para que os consumidores pudessem ter acesso ao mar de produtos que compram na data e ao longo do ano.

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“A China não inventou a compra on-line, evidentemente, mas como acontece lá não acontece em nenhum outro lugar do mundo. O grande mérito do on-line shopping chinês é muito mais a logística porque todo quarteirão que você visita lá está cheio das empresinhas logísticas que estão prontas para entregar o seu produto na hora”, diz Edival Lourenço, brasileiro que mora na China há mais de dez anos e é representante do Grupo CRSC, responsável pela construção do sistema de trem bala naquele país.

Segundo Daniel Lau, diretor da KPMG e head de negócios na Ásia, o 11 de novembro é uma oportunidade de muitas empresas estrangeiras abrirem espaço no mercado chinês. Ele aponta que muitas empresas que vêm de fora vendem mais em um único dia de Doble Eleven do que no ano inteiro no comércio on-line.

Isso porque os 25 bilhões de dólares movimentados no evento são resultado do frenesi que a data causa nos consumidores chineses e a criação de novas práticas de consumo. “É interessante observar nessa data o comportamento humano, as pessoas ficavam felizes porque compravam qualquer item no 11 do 11, ficou uma questão pessoal. Isso é a primeira compra e isso vai motivando a comprar mais”, explica Lau.

Pulo de gerações

Segundo Lau, o consumo on-line é uma característica muito própria da China que se explica pelo salto tecnológico e econômico que a economia chinesa deu em pouco tempo. Em 1990, o PIB chinês correspondia a 2% do PIB mundial, hoje é 16%. Entre os países em desenvolvimento, a economia chinesa responde por 40% de todo PIB.

Esse salto econômico e o investimento massivo em tecnologia fez com que a grande parte da enorme população chinesa passasse do mundo analógico diretamente para o mundo mobile, sem ter o apego pelos desktops, notebooks ou tablets. “A China move rápido, entre outras razões, porque ela não tem uma base no passado para carregar. Já nasceu dinâmica”, explica Lau.

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