4 tecnologias que ainda não foram adotadas pelo varejo brasileiro

Conheça algumas ferramentas que já estão no mercado brasileiro há anos e são deixadas de lado pelas empresas brasileiras

Tecnologias como terminal de vendas móvel e self check out ainda patinam no Brasil

Tecnologias como terminal de vendas móvel e self check out ainda patinam no Brasil. Crédito: Shutterstock

Apenas 35% do varejo brasileiro tem adotado estratégias digitais em seus negócios, de acordo com dados da Associação Brasileira de Automação para o Comércio (Afrac). Apesar de já existirem tecnologias no mercado e uma mínima infraestrutura, a transformação digital das empresas no Brasil patina.

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“O conceito de mobilidade e de transformação digital está tentando se consolidar no Brasil. Está amadurecendo cada vez mais, mas as tecnologias disponíveis para mudar a cara das empresas ainda não são usadas em larga escala”, diz o presidente da Afrac, Zenon Leite, em entrevista à NOVAREJO, nos bastidores da Feira de Automação Comercial, realizada nesta terça-feira, em São Paulo.

Confira abaixo algumas tecnologias que já fazem parte do core business de empresas que vendem soluções para o varejo, mas que o setor ainda não aproveitou de forma abrangente.

Terminais de venda móveis

Aquele terminal de ponto de venda tradicional onde compõe-se uma variedade de equipamentos em um balcão, como um computador desktop com controle de logística e estoque, uma caixa registradora, uma impressora de nota fiscal e uma máquina de pagamentos, está ultrapassado. Há diversos modelos desenvolvidos por uma expressiva quantidade de empresas que pretendem juntar esses componentes de um ponto de venda em um só aparelho.

É a revolução do ponto de venda na palma da mão. A ideia é dar mobilidade e conferir melhor experiência ao consumidor, que passa a não enfrentar filas, uma vez que a compra de um produto pode ser realizada de forma personalizada com um atendente, que leva o ponto de venda ao cliente. Esse tipo de tecnologia já está há anos no mercado, mas, na prática, mesmo que haja uma enorme concorrência entre empresas de meio de pagamento, o dispositivo que unica as operações de venda ainda não é usado em larga escala pelo varejo no Brasil.

As empresas de meios de pagamento Rede e Cielo, por exemplo, têm seus respectivos aparelhos, que, além de unificarem e dar mobilidade ao ponto de venda nas lojas, permitem o desenvolvimento de aplicativos de terceiros. Esses apps são inseridos nos equipamentos e comprados, de acordo com a necessidade do cliente. Cada um deles pode ter uma funcionalidade, como um controle específico de estoque ou um programa de fidelização.

Segundo Eros Jantsch, CEO da Bematech, empresa que também lançou o seu próprio terminal de venda móvel, as pessoas estão cada vez mais tendo experiências digitais, mas os negócios não acompanharam a mudança. “Os consumidores de uma forma geral estão evoluindo suas experiencias digitais como pessoa física. Mas os negócios não acompanharam essa viagem. Você vai num restaurante, num hospital, numa clinica e não há estrategias digitais porque ainda não há conhecimento para tal. O mercado ainda está desenvolvendo isso”, afirma o executivo.

Internet das Coisas

Uma das tecnologias mais mencionadas quando se trata de transformação digital, a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) está longe de se consolidar no Brasil. A tendência para as lojas do varejo é revolucionar as lojas físicas e fornecer experiência de compra fora dos padrões. A IoT tem esse papel de deixar a loja mais inteligente e conectada ao consumidor. Um dos cases mais recentes, com inspiração no conceito da Amazon Go, nos Estados Unidos, é o da bemaGo, uma espécie de loja inteligente.

Com software desenvolvido pela Totvs, o bemaGo oferece um pacote completo de experiência, utilizando a IoT como norte. Por meio da conexão de um equipamento centralizador chamado Gateway, outros dispositivos instalados ao longo da loja criam uma experiência sensorial.

Há a possibilidade, por exemplo, de identificar com esses sensores a qualificação dos consumidores. Dados como idade, gênero e emoções, importantes para a tomada de decisões e estratégias de negócio, podem ser coletados pelas câmeras dos dispositivos e sensores inteligentes. As informações e especificações técnicas dos produtos podem, inclusive, aparecer em uma tela apenas ao tocá-los, como uma gôndola interativa. Isso daria, segundo a Bematech, maior liberdade ao funcionário da loja para complementar o atendimento, de uma forma mais inteligente.

Outra funcionalidade apresentada pela Bematech foi um sensor instalado nas tomadas em que os aparelhos das lojas estão conectados. A coleta de dados do uso de energia em cada equipamento disposto no estabelecimento poderia reduzir os custos com energia elétrica e ajudar a aliviar o orçamento. “Quando os lojistas de fato saberem que existem tecnologias como essas e terem a dimensão do real valor que isso traz pro seu negócio, certamente, eles vão adotar. Digitalizar o negócio é reduzir custos e flexibilizar”, diz Jantsch.

Self Check Out

As máquinas de autoatendimento nos supermercados brasileiros, onde os clientes registram e adquirem suas compras sem ajuda de atendentes, também são tecnologias que já estão há algum tempo no mercado, mas não vingaram.

O presidente da Afrac, Zenon Leite, que também é CEO da Urano – fabricante de balanças eletrônicas – explica que enquanto o lojista não tiver estrutura financeira para avaliar a digitalização do negócio não há como introduzir a transformação digital. Segundo o executivo, a crise econômica afetou o crédito oferecido pelos bancos às empresas. O financiamento encareceu e as empresas, de forma geral, não expandiram, o que dificulta a transformação digital.

“Os financiamentos não são a baixo custo por aqui, então se o lojista fizer a conta, em muitos casos, no contexto brasileiro, vale mais a pena manter a empresa dele como está, com o funcionário e o ponto de venda tradicional mesmo e não adotando um self check out que ele não vai saber o o retorno real do investimento”, diz Zenon Leite.

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Etiquetas eletrônicas

A disposição dos preços nas lojas é uma das condicionantes de compra. Os consumidores são atraídos pelo lado gráfico, ainda mais quando o preço é realmente vantajoso. As etiquetas eletrônicas, que podem se ajustar a tamanho, cores e números de forma automática, já estão no mercado do varejo há anos e ainda não ganharam escala nos grandes empreendimentos. Há alguns exemplos como a loja da Ponto Frio, no Shopping Vila Olimpia, mas só como teste.

A Seal é a principal empresa do ramo fincada no Brasil e, por enquanto, só pequenos empórios e supermercados se aventuraram e mudaram os layouts das etiquetas de preços. As etiquetas funcionam de forma integrada com um sistema de software conhecido no meio como Planejamento de Recursos Empresariais (ERP, na sigla em inglês), que funciona como um centralizador de informações do estabelecimento (estoque, logística, fluxo de caixa e quaisquer outras informações que podem ser personalizadas).

Por meio desse sistema, por exemplo, é possível programar mudar o preço de todas as etiquetas sem auxílio de um funcionário. A principal ideia é reduzir custos. Geralmente, a troca de preços nos estabelecimentos é feita por atendentes. O erro na hora de mudar o valor das etiquetas pode acontecer e a divergência com o preço do caixa causa constrangimentos para o consumidor. Com as etiquetas o erro humano seria eliminado. A redução de custos também passa pelo quadro de funcionários, que, em muitos casos, têm um trabalhador específico para realizar a tarefa de trocar as etiquetas. E os custos com impressão de papel também seriam reduzidos com as etiquetas eletrônicas.