Quais são as estratégias das lojas de departamento que sofrem com a crise

As gigantes de departamento dos Estados Unidos, como a Macy’s, têm sofrido com a queda de vendas. Descubra o que elas estão fazendo para reverter o quadro

cred: Shutterstock

As principais lojas de departamento dos Estados Unidos, Macy’s e Kohl’s, apresentaram resultados expressivos e melhores que o esperado no segundo trimestre do ano. Mesmo assim, especialistas avaliam que a melhoria não evitará que o setor continue sofrendo com os desafios nos próximos meses.

Segundo o site norte-americano e-Marketer Retail, mesmo superando as expectativas a vendas da Macy’s caíram 2,8%. A Kohl’s também teve retração no volume de vendas, com quedas de 0,4%.

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Outro gigante na terra do tio Sam, a Nordstrom registrou aumento surpreendente de 1,7% nas vendas na mesma loja, liderado principalmente pelo aumento de 3,1% em sua cadeia Nordstrom Rack.

A Dillard’s também está entre as lojas mais prejudicadas. A empresa teve que aumentar os descontos e diminuir a margem de lucro ao ver suas vendas caírem 1%. A margem bruta das operações da companhia, no entanto, diminuíram 2,35%.

Desafios

Segundo a publicação norte-americana, embora existam variáveis que separam o desempenho dos varejistas de lojas de departamento, os desafios do setor em si são semelhantes. Boa parte deles, em especial os que possuem lojas nos chamados shoppings de nível médio, está sofrendo com a queda do tráfego nesses estabelecimentos, em parte devido ao crescimento do e-commerce.

Dados da RetailNext mostram que, até julho deste ano, as lojas de materiais de construção nos Estados Unidos diminuíram o tráfego nas lojas mensalmente desde janeiro de 2014. Quando falamos em lojas de departamentos, as próprias Macy’s e Kohl’s alegaram que o tráfego no segundo trimestre também caiu.

Perfil do consumidor

O e-Marketer Retail afirma que o comportamento dos consumidores também está mudando. “Mais compradores tendem a querer sentir que eles conquistaram uma barganha, ao invés de comprar uma marca de nome e com preço total. E muitos optam por reduzir as compras de bens materiais, escolhendo em vez disso se concentrar em viagens e outras compras experienciais”, diz a publicação.

“Operamos em um ambiente de competição intensa e disruptiva”, disse o novo presidente e CEO da Macy, Jeff Gennette ao e-Marketer, acrescentando que a empresa continuará sendo “muito promocional”.

Estratégias

As lojas de departamento dos Estados Unidos estão buscando transformar suas lojas físicas em vantagens quando se trata de e-commerce. A Kohl’s, por exemplo, está testando um recurso que permite que seus compradores online economizem quando optam por retirar a mercadoria nas lojas.

“Acreditamos que isso pode reduzir os custos e também melhorar o tráfego ao mesmo tempo”, disse Kevin Mansell, CEO da Kohl, ao site americano. “Nós acreditamos que as lojas físicas são uma fonte de força em um mundo omnichannel”.

A Macy também transformou alguns de seus departamentos de sapato e beleza em áreas de venda aberta e auto-atendimento. Enquanto isso, cerca de metade de suas vendas é de 10% de seus clientes, a empresa está lançando um novo programa de fidelidade, uma tendência observada em todo o setor varejista.

Expectativas

Estes são “todas as coisas do tipo de band-aid”, disse Mark Cohen da Columbia Business School em uma entrevista. “A inclinação da curva de seu desempenho continua a apontar para baixo. A inclinação pode diminuir um pouco, mas não aparecer. Macy’s é a criadora de todo o setor. O gênero da loja de departamentos está em declínio “, completou o especialista ao site norte-americano.