35% das empresas estão diminuindo as exigências para contratação

Estudo da FDC mostra que 49% das empresas brasileiras dizem ter vagas, mas não conseguem preenchê-las porque não encontram profissionais qualificados

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A dificuldade de encontrar profissionais qualificados é um dos motivos para que 35% das empresas brasileiras afirmarem ter diminuído as exigências para a contratação. É o que releva estudo da Fundação Dom Cabral.

A instituição ouviu mais de 200 empresas brasileiras dos setores de serviço, indústria de construção, bens de consumo e auto-indústria. E constatou que 49% delas dizem ter vagas, mas não conseguem preenchê-las por não encontraram profissionais qualificados para as funções.

A pesquisa mostra que 53% das emopresas acreditam que o País tem uma oferta média de mão-de-obra e 51,2% afirmaram enfrentar problemas para encontrar profissionais qualificados em sua região geográfica.

A qualificação é outro problema. Do total das empresas com problemas de contratação, 40% têm mais dificuldades para encontrar candidatos de nível técnico, especialmente no setor industrial de bens de consumo duráveis e de alta complexidade. Na sequência estão os profissionais com nível superior (36%) e, por fim, o nível operacional (24%).

Por conta dessas dificuldades, as companhias têm baixado a régua, principalmente para os cargos de níveis técnicos e administrativo. Segundo o estudo, 71,4% das empresas que têm mudado o grau de exigência para a contratação estão pegando mais leve com o quesito experiência na área; 48,6% delas têm feito concessões sobre as habilidades técnicas dos candidatos.

Das exigências deixadas de lado quase 67% das empresas citaram a fluência em idiomas, especialmente o inglês.

“Em um momento no qual temos números crescentes nos índices de desemprego, o estudo vem apenas confirmar a continuidade deste problema paradoxal e histórico no Brasil. Há uma urgência em revisar e modernizar os currículos, tanto superiores como os técnicos. E a recuperação sustentável para essa
e qualquer outra crise deve passar, impreterivelmente, pela educação e qualificação”, afirma o professor Paulo Resende, um dos coordenadores do estudo.