Crise e a geração de segmentos de consumidores

Pesquisa do Ibope aponta as mudanças no comportamento dos consumidores diante da crise e a nova maneira de segmentá-los

Gustavo Candido

Tudo ia bem: com o acesso ao crédito, os consumidores e o mercado viveram a Era do Consumismo, com um entusiasmo quase tão grande quanto todo o território do país. Eis que, de repente, um céu nebuloso muda a paisagem da economia brasileira e o PIB, que estava vivendo o auge de sua alegria, quase feliz, volta a cair, como em um passado não muito distante.

A crise fez com que, não apenas governo, indústria e comércio se vissem encurralados, como também – e talvez principalmente – o consumidor se encontrasse na mesma situação. Com divisões sociais diferenciadas, novos segmentos de consumidores surgiram e reagiram à crise.

O BR Week 2016 recebeu o diretor-executivo do Ibope, Bernardo Canedo, para mostrar as mudanças de comportamento dos consumidores diante da crise. “Uma nova classificação brasileira, com informações sociodemográficas somadas a compreensão de hábitos e atitudes do consumidor foi criada, o PeopleScope”, explica. A ferramenta foi criada em parceria com o SPC Brasil.

A ferramenta dividiu a população em três partes:

Realidade humilde

Famílias promissoras

Legado estabelecido

“Os consumidores passaram a comer mais em casa e menos na rua. Em termos de composição de cesta, a participação dos produtos de limpeza dentro das famílias promissoras, é bem menor do que nos outros dois segmentos”, conta Canedo.

Resultados gerais

Realidade humilde: caiu em valor médio de consumo, em número de itens e em visitas ao supermercado. Aumentou o volume de compra de frutas, verduras e legumes. “Esse é um drive importante para levar o consumidor de volta ao mercado”, comenta o diretor-executivo do Ibope.

Família promissora: reduziu valor médio, cresceu em itens e em média de visitas aos supermercados. “A quantidade de bebidas alcoólicas levou as pessoas mais vezes ao supermercado, mas elas compram em menos itens e em mais qualidade”, afirma Canedo.

Legado estabelecido: queda de itens e de valor médio e aumento de visitas ao mercado. “Quanto mais visitas, mais frutas, legumes, verduras e bebidas alcoólicas”, explica o executivo.

Olhando para crise

Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, percebeu-se que, quanto mais reduzia a expectativa das consumidoras, mais batons eram vendidos. “Existem produtos que, independentemente da expectativa do consumidor, aumentava ou diminuía em número de vendas”, explica o executivo.

Trouxeram essa pesquisa para o Brasil, mas em vez de batom, utilizaram cachaça. “A expectativa do consumidor cai, a quantidade de garrafas aumenta. Independentemente do target, da renda”, finaliza Canedo.