Carteiras digitais se tornam realidade no Brasil

Já há iniciativas no País, mas ainda há muito o que caminhar

Em 2013, quando o PayPal convidou o Café Suplicy para participar de um aplicativo-piloto, não se esperava que a ideia fosse chegar tão cedo ao País: um recurso no aplicativo da empresa, chamado ?chekin?, que permite ao cliente pagar pelo produto do Café sem abrir a carteira, pegar cartão ou digitar uma senha do cartão. É a tão sonhada carteira digital, capítulo do comércio mobile que começa a ganhar contornos no País. 

No caso do recurso da PayPal, há ainda a possibilidade de fazer o pagamento com o celular sem se quer ter chegado ainda ao estabelecimento. A ideia é simples: o cliente próximo ao estabelecimento faz o pedido pelo aplicativo, paga e chega no ponto de venda apenas para consumir o produto. ?Na mesma hora o estabelecimento recebe uma notificação de que aquele consumidor acabou de ?entrar? e dessa forma eu consigo fazer um tratamento mais personalizado desse cliente?, afirma Paula Paschoal, diretora do PayPal.

O processo da transação do pagamento é parecido com uma transação de compra pela internet. E é feito apenas com o mesmo e-mail e senha que o consumidor registrou no PayPal para fazer compras pela internet. É possível também utilizar o mesmo aplicativo em redes parceiras em mais de 203 países. ?Hoje, no modelo do Suplicy, o usuário final dá o comando, mas existe a possibilidade de fazer uma interação com o consumidor para interagir com ele, a partir do momento em que ele dá o ok na transação?, afirma Paula. ?Daí dá para fazer um marketing mais direto?, diz.

O recurso tem dado resultados e a ideia é expandir dentro do Café Suplicy, além de fazer parte do plano de expansão da companhia para os próximos meses. ?Para o lojista, o grande diferencial é que ele consegue em um único serviço agregar o processo de adquirente, todo risco da operação, e ele tem também o recebimento dos fundos em até 24 horas, além do fato de a plataforma ser simples ? o que aumenta muito a conversão no site?, diz a executiva. Para o consumidor, avalia Paula, existem duas vantagens: a agilidade e, principalmente, a segurança: ?70% dos brasileiros não compram por medo de fraude?, diz.

Na empresa, 15% das transações são via mobile e investir em carteiras digitais é apenas um dos meios para investir nessas plataformas. Quem entrou nesse barco também foi o Banco do Brasil e o Bradesco, que, juntos criaram a Stelo, uma carteira digital por meio da qual é possível cadastrar os meios de pagamento, como cartões de débito e crédito, para compras via e-commerce.

?Também dá para abrir uma conta Stelo e depositar dinheiro nesta conta virtual?, explica Ronaldo Varela, presidente da Stelo. ?O lojista pode perder o cliente, quando o processo de inserção de dados é muito complicado?, avalia.
Varejistas como Rakuten, Fbits, Dotstore, Giuliana Flores, Ana Pegova, Vila Romana, dentre outras, já são parceiras da companhia, que espera terminar 2015 com 10 mil lojistas parceiros, de todos os tamanhos.

?E do ponto de vista de compradores, devemos fechar o próximo ano com cerca 3 milhões?, acredita Varela. Ao contrário de PayPal que não tem planos de utilizar toda massa de informações de hábitos de compras dos seus usuários, a Stelo já nasce também com essa ideal. ?Vamos gerar esta inteligência e dar oportunidade para os lojistas fazerem ofertas assertivas a fim de gerar valor para ele e para o comprador?, afirma.

Embora já existam iniciativas no Brasil, ainda há muito o que fazer, quando comparamos o nosso mercado com aqueles mais maduros. Para Varela, a carteira digital no Brasil poderia ter chegado a mais tempo. Tecnologia para garantir a segurança dos processos foi um impeditivo.

?Outro ponto é que as carteiras digitais tiveram o foco de permitir o pagamento no ponto físico, para uma compra no lugar do cartão, mas o pagamento com o cartão no ponto de venda já está resolvido?, avalia. ?Na internet, por outro lado, o processo é mais longo, tem sido uma experiência ruim para o comprador e o lojista ainda tem de lidar com as fraudes?, afirma.

Está nos planos da companhia criar aplicativo para facilitar as compras mobile. Na loja física, ainda não há planos de investimento. A MasterCard não ficou para trás e lançou ao final de 2013 a MasterPass, que funciona da mesma forma que as demais carteiras digitais, mas é direcionada tanto para as lojas físicas como para as lojas online. No estabelecimento comercial, funciona com códigos NFC e QRCode. Varejistas como a rede de eletroeletrônicos Girafa e outras gigantes, como Casas Bahia, Extra e Ponto Frio já aceitam.

Confira na edição 38 da revista NOVAREJO reportagem sobre varejistas que já adotaram o mobile como canal de venda.

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