Índice de confiança do paulistano é o pior em 9 anos

Pesquisa da Fecomércio de São Paulo para abril aponta queda de 4,4% na propensão à compra do consumidor paulistano. Resultado igual, só em novembro de 2005

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), os paulistanos reduziram ainda mais seu otimismo em relação ao cenário do comércio atual. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é uma sondagem de propensão à compra calculada pelo órgão e desceu aos 120,2 pontos, apontando uma queda de 4,4% em relação aos 125,8 pontos do mês anterior. 

O número atual é o pior patamar desde novembro de 2005. Sobre os 155,6 pontos registrados em abril de 2013, houve um significativo recuo de 22,7%. Apurado mensalmente pela Fecomercio, o indicador é considerado um termômetro da percepção das pessoas sobre a situação econômica e balizador para novos investimentos pelo setor produtivo. A variação dos números vai de zero, que seria o pessimismo total a 200 pontos, otimismo total.

De acordo com a Fecomercio, a sucessiva diminuição do ICC em março e em abril é ?resultado do aumento do desânimo e descrédito da população com o andamento da atividade econômica?. São apontados como motivos para esse resultado ruim a ampliação sistemática nas variações dos índices de preços ao consumidor, sobretudo relacionados a bens de consumo, como os produtos alimentícios. Também contribui, segundo o órgão, para uma menor confiança dos consumidores a contenção do crédito promovida por prazos de pagamento mais curtos e taxas de juros mais elevadas.

A queda do indicador, tanto de março para abril quanto entre abril de 2013 e abril de 2014, foi verificada em todas as segmentações (renda, gênero e faixa etária). Na comparação mensal, os destaques foram para quem ganha a partir de dez salários mínimos, com variação negativa de 8,5%; entre as mulheres, cujo indicador caiu 6,3%; e para pessoas com 35 anos ou mais, que registraram ICC 7,6% menor. Os mesmos grupos tiveram as maiores quedas na comparação anual: renda de dez salários mínimos ou mais (-25%), mulheres (-24,6%) e idade a partir de 35 anos (24,5%).