Qual o grande inimigo do varejo segundo os próprios varejistas?

Por: Leonardo Pinto 3.754 views

Confira alguns insights e críticas de representantes de entidadades de classe e grandes empresários sobre a presença no Estado brasileiro no ambiente de negócios

Paulo Pompílio, diretor do GPA, discute sobre a burocracia no Brasil. Crédito: Rafael Canuto

A burocracia da legislação brasileira e a grande máquina do poder público no controle de operações varejistas foram as principais reclamações de executivos ligados ao setor, em um dos painéis do dia de abertura do BR Week 2018. Discutindo a união do varejo para um bem maior, José Barral, ex-presidente do Sonda Supermercados e atualmente à frente da Cendon Consultoria, disse que “nenhum negócio pode agir sozinho e que cada vez mais temos que entender o que nosso negocio tem que trazer de benefício para a  sociedade como um todo”.

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A discussão foi em torno desse tom durante todo o debate, com a máxima de que a concorrência dentro do próprio setor não é, de fato, um fator de inimizade. Esse ambiente sinérgico de negócios competidores deve ser traduzido em união para combater o principal problema do Brasil, segundo os executivos: a burocracia do poder público.

Representantes de entidades de classe ressaltaram a importância desses órgãos no sentido de conferir mais união dos setores envolvidos. “As associações comerciais congregam todos os segx’mentos da economia.Varejo, indústria, segmento financeiro. A gente tem que lembrar que o inimigo do varejista não é o varejista do lado. O nosso inimigo é a burocracia governamental. Nós temos que ter uma união para resolver esse tipo de problema”, afirma Nelson Kheirallah, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Kheirallah tocou em um ponto no qual há praticamente uma unidade perante os varejistas. Ele citou que o varejo, em si, não transforma produtos como a indústria e questionou como um programa do governo, na sua visão, pode impactar negativamente e trazer mais burocracia para o setor. “O varejo compra 10 unidades e vende 10 unidades. Pra que essa burocracia do Simples(programa)?  Temos que trabalhar em conjunto para diminuir esse problema”.

Em consonância com o comentário do vice da ACSP, o diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), Edmundo Lima, colocou seu case como um exemplo de junção de esforços de concorrentes em prol de um benefício geral. “No monitoramento de cadeia produtiva, são varejistas concorrentes, maseles entenderam que diante de uma realidade de contexto de cadeia produtiva extremante frágil e irregular, era preciso agir. Esses varejistas, junto com a entidade, construíram um processo sistematizado pra garantir boas práticas e a valorizar a dignidade do trabalhador dezsa cadeia”, afirma o executivo.

Em meio ao debate, o presidente da Associcação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), Glauco Humai, foi o mais crítico da situação política brasileira. Segundo ele, há aproximandamente 3500 projetos de lei tramitando nas casas legislativas do País que barram pelo menos algum ponto do investimento nos shopping e da operação.

“Quem vai ser louco de botar dinheiro no Brasill, sem ter a taxa de retorno? Esses projetos de lei podem mudar radicalmenteo nosso negócio da noite para o dia. É algo extremamente desfavorável. Supermercados é a mesma coisa, comércio, franquias. Mentalidade ultrapassada e obsoleta do poder público fazem a gente ter que enxugar gelo e apagar fogo todo dia. A gente só consegue mudar isso pelo voto”, opina Humai.

O assunto ganhou corpo quando Barral revelou sua experiência no varejo e como essa série de impeditivos acaba travando a inovação no Brasil. De acordo com o presidente da Cendon, 80% do tempodo varejista é para resolver situações reativas, nas quais eles têm que se defender, principalmente do poder público, diz ele. “Sobram apenas 20% para, de fato, inovramos. Isso é algo que acontece”.

Para Altino Cristofoletti, presidente da Associação Brasileira de Franquias (ABF), a legislação no caso de seu segmento causou boas perspectivas e houve um ganho maior quando a liberdade econômica foi priorizada. O segmento de franquias é um dos que mais crescem no Brasil e isso se deve, segundo Cristofoletti, por um alívio do poder público. “Um acabouço jurídico que dá confiança na relação entre as partes e deixa livre essa relação faz com que a coisa cresça. Hoje o país é reconhecido no franchising por causa de uma simples lei de 1994,que deu maior transparência na relação entre as partes”, diz o especialista. “O alto grau de regulamentação que engessa e impacta muitos os nossos negócios”, complementa.

Por fim, como representante de um dos maiores grupos de varejo do Brasil, o diretor de relações corporativas do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Paulo Pompilio, citou dados onde o Brasil está na 153ª posição de ter uma liberdade econômica. Segundo ele, isso atravanca qualquer projeto de País que alguém possa ter. “A liberdade econômica no País traz uma qualidade de vida melhor. Quando vc faz um comparativo, no Brasil é péssima. Precisamos(empresários) ter um papel protagonista. Temos que pensar o País”, disse o executivo.

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