O que a Chilli Beans e a Evino têm em comum?

Por: Raisa Covre 715 views

Durante o BR Week 2018, líderes das duas marcas refletiram sobre suas respectivas trajetórias e formas de encontrar o sucesso no mercado brasileiro. Entenda

No mundo conectado em que vivemos, empresas de todos os segmentos se enxergam em um momento de questionamento e transformação. O que duas empresas com modelos aparentemente totalmente diferentes têm em comum? O BR Week 2018 se propôs a mostrar esta visão. Em um dueto, Caito Maia, presidente da Chilli Beans, e Matheus Bazan, CEO do Bev Group, compartilharam suas trajetórias e visões de mundo sobre o mercado atual.

Maia lembrou que enquanto a Chilli Bens começou no offline e foi para o online, a Bev Group iniciou no online e foi para o offline. O grupo é detentor de marcas como a Evino, e-commerce especializado em vinhos. Em sua visão, são caminhos diferentes, porém, com um momento objetivo. De alguma forma, as duas empresas buscam democratizar seus produtos, um propósito maior acima do negócio. De fato, um ideal de fast fashion aplicado a mercados de bens de consumo.

Como entende Bazan, quando falamos de fashion, as pessoas pensam em luxo. O fast traz a democratização. “É a democratização de algum aspecto dos desejos”, diz. A história da Evino é principalmente sobre a identificação da oportunidade de mercado do comércio de vinhos no Brasil,principalmente vindos do Velho Mundo. “O mercado é dominado por vinhos chilenos e argentinos, mas a maior venda da Evino é de franceses e italianos, trouxemos esse glamour a preços acessíveis”. A intenção atual da empresa é entrar no mundo offline.

Diferente

O CEO da Chilli Beans refletiu sobre quantas vezes já ouviu que o brasileiro não gosta de determinadas características dos produtos, como cor, tamanho, e outras apotas. Sempre diziam para ele que não ia dar certo. Na prática, ao vender, muitas dessas ideias tornaram-se as mais vendidas. “Existem umas regras conservadoras do mercado que são totalmente erradas. Como nós somos abertos, isso dá certo”, explica.

“O estilista sempre quer fazer uma coisa radical, diferente, e eu deixo. O que a gente percebe é que existe uma demanda reprimida brasileira, que as pessoas querem consumir, mas que as marcas não têm coragem de colocar no mercado. Quem faz diferente, é radical, tem performance e sucesso”, garante.

Bazan compartilha desta visão. Ele lembra que, no Brasil, o consumo está muito ligado a democratização e oportunidades. “O consumidor não quer mais um produto que dure 30 anos, a experiência tem contado muito mais”, explica. “O mercado de luxo está dividido entre ostentação e experiência. Porém, a ostentação está perdendo espaço para a experiência, as pessoas querem experiência”.

Questionamentos

Atualmente, a Chilli Beans está com 810 lojas e pretende fechar o ano com 900 lojas. O CEO conta que resolveu reformular toda a marca neste ano, está pensando em mudar inclusive seu logo. “Depois de 21 anos de marca, é necessário um refresh”, acredita. Nesse momento, a empresa precisa questionar tudo. “Meu negócio nasceu quando as pessoas não usavam internet. Existia mercado mundo mix e shopping. Estou questionando tudo, até a loja virtual. Se eu não questionar, eu vou morrer”, garante. Fora isso, o executivo lembra que não acredita em negócios 100% online. Mesmo a Amazon está investindo no físico.

Isso porque as pessoas esperam experiência. O que acontece muito com o público da marca de óculos é que o online capta novos consumidores e também os leva para as lojas físicas. Porque as pessoas querem experimentar.

Matheus Bazan concorda: no futuro, não vai existir online e offline como algo dividido. Os mundos vão conviver, se complementar. “Tudo indica que a maior empresa online vai ser a maior empresa offline”, diz. Porque as pessoas conectam tudo, procuram online e compram off, e vice-versa.

Futuro

Para Maia, todas essas transformações certamente resultarão em uma nova ideia de loja física. “O futuro offline será diferente, customizado, com novos metros quadrados. A experiência física vai se reciclar, se customizar, tudo vai se customizar”, prevê. Bazan complementa recordando como hoje já existem tecnologias de alto nível de reconhecimento facial, por exemplo. Isso traz uma nova fase para as ofertas customizadas, a complexidade será cada vez maior, as lojas vão conhecer seus consumidores de outra forma.

Mesmo assim, o básico ainda será determinante para o sucesso de qualquer empresa. “O sucesso da minha equipe de vendas vem do cuidado que temos com as nossas pessoas”, garante Maia. “As pessoas hoje estão desvalorizadas, não são ouvidas, as empresas não conhecem seus desejos e vontades. O respeito pelo ser humano é o que leva amor para as pessoas, para fazer esse exército louco de pimenta”, brinca. Essa é a filosofia que abraça colaboradores que tatuam o nome da marca. Talvez um ápice de amor. “O que percebo muito é que os gestores ficam pirando com coisas gigantescas e as respostas são pequenas”, diz.

É necessário entender todas as conexões. Não existe mais só um canal. Não existe mais um consumidor que quer só a mercadoria – ele espera contexto, experiência. E, claro, é necessário fazer o feijão com arroz. “As empresas precisam ter boa execução na ponta, o produto tem que estar bem exposto, atendimento decente, degustação decente”, finaliza Bazan.

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